sábado, 7 de março de 2015

Documentário Água sagrada - mineração em Wirikuta


Durante cinco dias, o "deserto" de Wirikuta, no Estado de San Luis Potosí, México, foi o lar de uma equipe de colaboradores/as de meios livres do país para documentar aqueles que seguem em pé de luta pela defensa do seu território. 

Apesar dos recentes triunfos que tem obtido o povo Wirárika na defesa dos seus locais sagrados, na zona ainda persistem outros projetos mineradores, que ameaçam o sustento das comunidades que realmente habitam esses territórios. Seus argumentos e alegações para defender suas terras ficarão registrados nesse trabalho colaborativo e experimental.

Wirikuta é um dos sítios sagrados naturais mais importantes do povo indígena Wixarika (huichol), e do mundo. 

O povo Wixarika (huichol) habita em Jalisco, Nayarit e Durango, e é reconhecido por ter conservado sua identidade espiritual e continuar praticando sua tradição cultural e religiosa há mais de milhares de anos. 

Wirikuta é o território para onde peregrinam as distintas comunidades do povo Wixarika, recriando o percurso que fizeram seus antepassados espirituais. Nesse deserto brota o peyote ou o jícuri, cactos que os wixaritari (huicholes) ingerem ritualmente para receberem o "dom de ver”.

O território sagrado de Wirikuta foi declarado Reserva Ecológica Natural e Cultural, com uma superfície de mais de 140.000 hectares. Abarca os municípios de Catorce, Charcas, Matehuala, Villa de Guadalupe, Villa de La Paz e Villa de Ramos. 

Wirikuta foi incorporada, em 1988, pela Unesco [Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura] à Rede Mundial de Sítios Sagrados Naturais.

Wirikuta possui um ecossistema único no mundo. Faz parte de uma porção do deserto chihuahuense, onde se concentra a maior biodiversidade e riqueza de cactáceas por metro quadrado do planeta. É muito mais do que um deserto: é um jardim. 

A maior parte das cactáceas de Wirikuta figura na Norma Oficial Mexicana de Plantas Ameaçadas e em Perigo de Extinção. Uma grande proporção de sua flora e fauna é endêmica, ou seja, que nasce somente lá.

¿O QUE ESTÁ ACONTECENDO EM WIRIKUTA?

Nesse território sagrado, o governo mexicano entregou pelo menos 22 concessões mineradoras à empresa canadense First Majestic Silver Corp, na área de Real de Catorce, através da empresa mexicana Real Bonanza SA de CV. 70% dos 6 mil 326.58 hectares da superfície concedida está dentro da Reserva de Wirikuta.

Recentemente, em dezembro de 2011, acabou de ser anunciado o lançamento do Projeto Universo, um megaprojeto minerador da empresa canadense Revolution Resources. Esse projeto torna os 6 mil 326 hectares da First Majestic como algo insignificante. 

O Projeto Universo pretende explorar recursos minerais em 59.678 hectares dentro da Área Natural Protegida de Wirikuta, o que representa nada menos do que 42,56% da superfície total de Wirikuta.

As grandes quantidades de água utilizadas pela megamineração provocariam o dessecamento de bacias hídricas que, de acordo com informes da Comissão Nacional da Água, se encontram já sobre-exploradas e têm muito pouca capacidade de recuperação nessa região. Além disso, os mananciais sagrados onde o povo wixarika coleta suas águas benditas correm risco de serem contaminados com cianureto, xântio e metais pesados.

Existem outras concessões mineradoras que batem em Wirikuta e que se encontram na chamada zona de influência da Reserva. Ademais há uma quarta ameaça: empresas tomateiras agroindustriais estão desmontando a zero vários prédios localizados dentro da Reserva, sem terem apresentado nenhum estudo de impacto ambiental. 

Essas mesmas empresas são responsáveis pela seca dos últimos anos, já que bombardeiam as nuvens com químicos que impedem a chuva, tão necessária para os camponeses que dependem dela; situação que agravou a pobreza e a migração na zona. Para os camponeses de Wirikuta, esta tem sido a pior seca em 50 anos.

Ficha técnica:

Direção: esse documental foi realizado de maneira colaborativa entre diversos meios livres: Koman Ilel (Mirada Colectiva), Naranjas de Hiroshima, La Sandía Digital, Subversiones Agencia Autónoma de Comunicación, emergenciamx.org, Hijos de la Tierra e Caravana Climática por América Latina.
País de produção: México
Ano: 2015
Duração: 28 min


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