domingo, 15 de março de 2015

Religião como sistema simbólico, na perspectiva de Cliford Gertz e Mircea Eliade – Por José Justino Porto


O grande número de religiões no Brasil faz da “fé” um grande mercado para mais de 200 milhões de consumidores sedentos para resolver de vez suas angústias, decepções, frustrações, etc. 

São católicos com dezenas de congregações, evangélicos divido em batistas, presbiterianos, pentecostais e neopentecostais, além das religiões de cada país.

Em todo lugar, o sagrado contém em si mesmo uma obrigação intrínseca: ele não apenas encoraja a devoção como a existe; não apenas induz a aceitação intelectual como reforça e compromisso emocional.

Formulado como mana, como brahma ou como a Santíssima Trindade, aquilo que é colocado à parte, como além do mundano, é considerado, inevitavelmente, como tendo, implicações de grande alcance para a orientação da conquista humana. Não sendo meramente metafísica, a religião também nunca é meramente ética.

Concebe-se que a fonte de sua vitalidade moral repousa na sua fidelidade com que ela expressa a natureza fundamenta da realidade. Sente-se que o “deve” poderosamente coercivo cresce a partir de um “e” factual abrangente e, dessa forma, a religião é fundamentada às exigências mais específicas da ação humana nos contextos mais gerais da existência.

O homem das sociedades arcaicas tem tendência para viver o mais possível no sagrado ou muito perto dos objetos consagrados. Essa tendência é compreensível, pois para os “primitivos” como para o homem de todas as sociedades pré-modernas, o sagrado equivale ao poder e, em última análise, a realidade por excelência. O sagrado está saturado de ser. Potencia sagrada quer dizer ao mesmo tempo da realidade, perenidade e eficácia.

A oposição sagrado/profano se confundem, e traduz nas festas da Bahia, mais especificamente em Salvador, na festa de São Roque e São Lázaro. São Santos da Igreja Católica e Orixás do Candomblé.

Os Padres no ofertório as baianas comungam com os ministros da Eucaristia, ao final da celebração, os Orixás dão banhos de “água de cheiro”, tirando os “maus fluidos” e “mal olhados”. Os símbolos dão o tom mágico nas celebrações, e consequentemente na festa.

Em última instância, o modo de ser sagrado e profano dependem das diferentes posições que o homem conquistou no Cosmo e, consequentemente, interessam não só ao filósofo mas também a todo investigador desejoso de conhecer as dimensões possíveis da experiência humana.


(José Justino Porto, historiador, geógrafo e sociólogo, mestre em Ciência da Religião PUC-GO, professor da rede estadual de ensino.jjtininho@Gmail.com)

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