quarta-feira, 25 de março de 2015

Revolução de comportamento começa abalar vida sexual cristã – Por Beto Silva



Novas práticas recepcionadas pelas religiões revelam abertura dentro das igrejas. Livros mostram bastidores apimentados de freiras e sugere que transformações se acumulam desde o Século 18.

A palavra ‘sexo’ costumava ser tabu nas ordenações religiosas. Ao longo do tempo, com a organização das igrejas em torno de instituições, o próprio comportamento sexual passou a ser proibido.

Mas a modernidade começou a mexer com todas as estruturas, inclusive as sexuais dentro das igrejas e acabou chegando recentemente em várias denominações. Na última semana, por exemplo, a Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos (PCUSA), que difere da presbiteriana brasileira em vários pontos, assumiu a realização do casamento gay.

A notícia impactou o mundo: uma igreja tradicional (e não neopentecostal) assumiu uma das discussões mais emblemáticas da modernidade. No Brasil, a liberalidade da PCUSA ainda não chegou nas igrejas. No último domingo, inclusive, cultos realizados em Goiânia condenaram as mudanças da PCUSA. Mas elas estão pressionadas pelo Estado: a Suprema Corte (Supremo Tribunal Federal) já aceita a família homoafetiva e incentiva, inclusive, a adoção.

Ao contrário do que se pensa, entretanto, as mudanças sexuais que ocorreram nos últimos dias dentro das instituições religiosas não são de hoje. Elas têm efeitos acumulativos. A prova disso é que a editora L&PM lançou na última semana: Que seja em Segredo. Conforme a editora, a obra traz poemas eróticos escritos pelas freiras na “devassidão dos conventos brasileiros e portugueses dos séculos 17 e 18″.  Ou seja, é o sinal de que existe, de fato, uma antecipação das mudanças hoje e cada vez mais aceleradas.

“Esta publicação mostra que antes, no passado, as mulheres não decidiam seguir a vida cristã apenas por vontade de adorar Cristo. Muitos pais enviavam mulheres “difíceis” para os conventos. Assim, as rebeldes e homossexuais acabavam se envolvendo em pequenos escândalos sexuais”, explica André Sanches de Almeida, professor de estudos teológicos.

É deste período o modelo de abordagem “freirático”, homens que frequentavam os recintos das freiras. Conforme Que seja em Segredo, a grande dificuldade é localizar os nomes das envolvidas nestes relatos amorosos e que desde cedo tornam a religião um espaço menos sagrado que se supõe.

Um dos adeptos das relações com freiras era o rei de Portugal, dom João V, e o poeta Gregório de Matos.  Diante da característica de época de representante de “Deus na Terra”, João V mandou erguer uma passagem secreta da sua casa até o convento local. E lá, evidente, o serelepe rei abusava ou se divertia com as freiras, sempre consideradas castas pela mitologia popular.

Se na vida monasterial existem cada vez relatos de devassidão, é de se estranhar a cisão condenatória que alguns modernos têm em relação às liberdades sexuais obtidas nas igrejas evangélicas.

O caso mais emblemático:  os evangélicos que usam produtos eróticos. Nas redes sociais e nas mídias existe a ‘condenação’, sendo que nas igrejas e mesmo nas relações entre evangélicos já existe um código liberal, mas baseado na interpretação da Bíblia.

O pastor Cláudio Duarte explica que as fantasias são permitidas. “Mas é preciso bom senso”, diz o religioso, que tem se transformado em um hit gospel entre os novos religiosos.

“O homem e a mulher podem se vestir do que desejarem, com bom senso.  O sexo não deve sair do corpo. A ‘apimentada’ é permitida entre quatro paredes. Mas temos que procurar saber o que agrada Deus ou não”, diz o pastor.






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