domingo, 7 de junho de 2015

No primeiro discurso, a esperança de uma 'primavera' Bósnia.



Em seu primeiro discurso, em terras bósnias, o Santo Padre agradeceu às autoridades da Bósnia-Herzegóvina pela gentil recepção e expressou sua grande alegria por estar na cidade de Sarajevo, que, depois de tantos sofrimentos, por causa dos conflitos sangrentos do século passado, voltou a ser lugar de diálogo e convivência pacífica.

“Sarajevo e a Bósnia-Herzegovina revestem um significado especial para a Europa e o mundo inteiro. Há séculos, nestes territórios, estão presentes comunidades que professam religiões diferentes e pertencem a distintas etnias e culturas, cada uma das quais se sente rica com as suas características peculiares e ciente das suas tradições específicas. Isto, porém, não impediu uma prolongada existência de mútuas relações amistosas e cordiais”.

A própria estrutura arquitetônica de Sarajevo apresenta traços visíveis e consistentes disso: sinagogas, igrejas e mesquitas, a ponto de a cidade ser chamada «Jerusalém da Europa». Na verdade, ela constitui uma encruzilhada de culturas, nações e religiões, que exige, sempre, a construção de novas pontes e a restauração das existentes, para uma maior comunicação fácil, segura e civil.

Por isso, o Papa sugeriu: “Precisamos comunicar, descobrir as riquezas de cada um, valorizar o que nos une e olhar as diferenças como possibilidades de crescimento, no respeito por todos. É necessário um diálogo paciente e confiante, para que as pessoas, as famílias e as comunidades possam transmitir osvalores da própria cultura e receber o bem das experiências alheias. Assim, as graves feridas do passado recente podem se cicatrizar; pode-se encarar, com esperança, o futuro, e enfrentar, sem medos e rancores, os problemas existentes”.

A seguir, o Bispo de Roma falou sobre o objetivo específico da sua viagem ao país:

“Vim como peregrino de paz e de diálogo, após 18 anos da histórica visita de São João Paulo II. Fico feliz ao ver os progressos realizados, pelos quais devemos agradecer ao Senhor e a tantas pessoas de boa vontade. Contudo, não se deve contentar com o que foi realizado até agora, mas dar novos passos para reforçar a confiança e criar oportunidades para aumentar o conhecimento mútuo e a estima. Para favorecer este percurso é fundamental a solidariedade e colaboração da comunidade internacional, da União Europeia e de todos os países e organizações presentes e atuantes operativos neste território.

Na verdade, esta amada nação”, recordou o Pontífice, “faz parte integrante da Europa; os seus sucessos e dramas constituem uma séria advertência para se fazer todo o esforço possível a fim de que os processos de paz iniciados se tornem cada vez mais sólidos e irreversíveis". E acrescentou:

“Nesta terra, a paz e a concórdia entre croatas, sérvios e bósnios, e as iniciativas que tendem a aumentá-las ainda mais, as relações cordiais e fraternas entre muçulmanos, judeus e cristãos se revestem de uma importância que vai bem mais além das suas fronteiras. Elas testemunham, ao mundo inteiro, que é possível uma verdadeira colaboração entre as várias etnias e religiões, em prol do bem comum; um pluralismo de culturas e tradições pode subsistir e dar vida a soluções originais e eficazes dos problemas; as próprias feridas, até as mais profundas, podem ser curadas com um percurso que purifique a memória e dê esperança para o futuro”.

Neste sentido, o Santo Padre propôs reconhecer os valores fundamentais de cada um, para se colaborar, construir e dialogar, perdoar e crescer; somos os primeiros servidores das comunidades; os responsáveis políticos devem salvaguardar os direitos fundamentais da pessoa humana, sobretudo o direito à liberdade religiosa. Somente assim se pode construir uma sociedade mais pacífica e justa.

O Papa Francisco concluiu seu primeiro discurso, em Sarajevo, afirmando: “A Igreja Católica participa, por meio da oração e da ação dos seus fiéis e das suas instituições, da obra de reconstrução material e moral da Bósnia-Herzegovina, compartilhando das suas alegrias e preocupações; e busca ser solidária com os pobres e necessitados”.

“A Santa Sé congratula-se pelo caminho feito nestes anos e assegura a sua solicitude em promover a colaboração, o diálogo e a solidariedade, sabendo que a paz e a escuta recíproca, em uma sociedade civil e ordenada, são as condições indispensáveis para um progresso autêntico e duradouro”.


“A Santa Sé espera vivamente que a Bósnia-Herzegovina, com a contribuição de todos, possa continuar a avançar no caminho empreendido, para que, depois do gélido inverno, se possa chegar à primavera”.


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