quinta-feira, 30 de julho de 2015

Viver à antiga – Por Jordi Ruiz Cirera


A comunidade Menonita da Bolívia mantém-se afastada do resto da sociedade e segue os costumes de há séculos.

Os ensinamentos da Bíblia são o seu principal guia. Vestem-se de forma humilde e simples. Evitam as roupas coloridas ou com desenhos e qualquer tipo de adereço ou bijuteria. Vivem sem electricidade, telemóveis e carros.

A agricultura é a principal actividade económica, vendem ou trocam aquilo que não consomem por outros bens. Em 2010, o fotógrafo espanhol Jordi Ruiz Cirera foi viver algum tempo com esta comunidade.

“As fotografias são proibidas por motivos religiosos, mas como em todas as religiões, cada pessoa faz como pensa. Em alguns casos, disseram-me que não podia tirar fotografias, mas quando o fazia não havia problema. Outros mostraram-se totalmente contra serem fotografados”, conta Jordi numa entrevista ao jornal “El Confidencial”. Jordi fotografou o quotidiano da comunidade e conseguiu alguns retratos de pose assumida. 

“Os dois pilares principais da sua religião, que é a base da sua sociedade, são a austeridade e a humildade. Nada pode sobressair ou ser desnecessário, supérfluo. Vindo de uma sociedade onde se privilegia o oposto, é interessante ver como é que uma comunidade inteira vive de forma alienada e totalmente diferente. Pode-se dizer que vivem quase como há 200 anos. É difícil perceber como é que não têm a necessidade que nós temos de querer sempre mais e melhor”, diz o fotógrafo. 

Os menonitas chegaram durante os anos 50 à Bolívia, provenientes do Canadá, México e Belize, onde a sua vida estava a ser ameaçada por divergir com as propostas do governo. Actualmente, são mais de 50 mil menonitas na Bolívia, mas não é possível saber o número exacto pois muitos deles vivem sem registo ou com passaporte estrangeiro. 

A comunidade menonita sente cada vez mais a pressão da sociedade, pelo maior acesso ao álcool, música, carros e outros produtos modernos. Apesar de procurarem novos sítios isolados, a sensação de “estar a chegar ao fim de um período” é visível em toda a comunidade.





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