sábado, 12 de setembro de 2015

Sairé inicia com busca dos mastros no Lago Verde em Alter do Chão – Por João Machado e Karla Lima


Ritual consiste em pegar troncos na floresta para levar para praia. Abertura oficial será na quinta-feira (17/09) com levantamento dos mastros.

A programação do Sairé 2015 começou logo cedo, às 5h deste sábado (12/09), com alvorada e queima de fogos na vila de Alter do Chão, em Santarém, oeste do Pará. Logo após o tradicional café da manhã, por volta de 8h30, os personagens do Sairé (Saraipora, juíza, mordomos e foliões) saíram em procissão fluvial em busca dos mastros. 

 A procissão saiu da orla da vila até o Lago Verde. Durante o percurso, na embarcação em que o símbolo do Sairé, Santíssima Trindade, é levado, os foliões animaram com cantos religiosos acompanhados com sons de percussão. Moradores da vila, da cidade e turistas prestigiaram o ritual.

Natural do estado do Espírito Santo, a auditora fiscal Marília Demian, a passeio em Alter do Chão não tinha intenção de participar do evento, mas ficou sabendo do rito religioso e a curiosidade a instigou a conhecer a tradição. 

“Dei sorte de pegar essa festa linda, religiosa. Achei a história muito rica, essa coisa da procissão de barcos que tem na minha terra também, mas aqui é a festa do divino”, contou.

Enquanto os barcos seguiam em procissão, era servido o tarubá, bebida indígena feita a partir da fermentação da mandioca. A cabeleireira Shitara Ritielle que decidiu sair da área urbana de Santarém para morar na vila recentemente acompanhou pela primeira vez o rito e apreciou a bebida. 

“Gosto bastante de tarubá. Já tomei outras vezes. Legal ver como são interessados pelos costumes. A sociedade tem suas classes e religiões, e eu fui criada numa que me restringia conhecer outras religiões e culturas. Esta fase da minha vida é que estou me libertando e me permitindo conhecer outras culturas”.

Eu fui criada numa [religião] que me restringia conhecer outras religiões e culturas. Esta fase da minha vida é que estou me libertando e me permitindo conhecer outras culturas”.

Após quase uma hora navegando pelo rio, a procissão chegou na Cabeceira do Miritiapina, local onde estavam os mastros das espécies murrão (carregado pelos homens) e tapiririca (carregado pelas mulheres). Os troncos foram extraídos da comunidade Pindobal, em Belterra, onde, em compensação, foram plantadas 10 mudas de andiroba e cumaru.

Após a coleta, os mastros foram transportados em uma pequena embarcação motorizada, conhecidas na região como bajara, para a Praia da Gurita, popularmente conhecida como Praia do Cajueiro.

“Esse momento representa o começo do rito religioso da festa do Sairé. Na quinta [17/09] será ornamentado com frutas que vão demonstrar a fartura. Esse momento é importante porque era dessa forma que nossos antepassados faziam. Essa procissão é o começo de todo o Sairé religioso”, destacou Marlisson Soares, da Comissão organizadora.

Quinta-feira (17/09), é o dia da abertura oficial do Sairé. Na ocasião, serão enfeitados com frutas e erguidos um ao lado do outro na Praça do Sairé. Os mastros só serão derrubados no último dia de festa para marcar o encerramento das festividades.






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