quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Celebração à Iemanjá no dia 8 de dezembro está garantida em Maceió – Por Carlos Amaral e Andrezza Tavares



SMCCU manifestou sua posição na tarde de quarta (02/12); sobre o show evangélico, órgão diz que vai esperar decisão judicial.

Grupos ligados às religiões afro-brasileiras convocam ato para amanhã em frente à sede do Ministério Público Estadual, no Barro Duro. As celebrações das religiões afro-brasileiras em homenagem à Iemanjá, que são realizadas na orla de Maceió, com maior concentração no bairro de Pajuçara, estão mantidas pela Prefeitura Municipal. Em nota, a Superintendência Municipal de Controle do Convívio Urbano (SMCCU) divulgou sua decisão na quarta-feira (02/12).

Contudo, sobre o pleito do grupo de evangélicos que querem realizar um show da cantora Sarah Farias na Praça Multieventos no mesmo dia, a SMCCU diz que vai esperar a decisão do Poder Judiciário, uma vez que os representantes que participaram dos dois dias de reuniões na sede do Ministério Público Estadual (MPE) afirmaram que acionariam a justiça para garantir a realização de seu evento.

A menos de uma semana para a data festiva, a decisão precisar ser rápida para possibilitar aos órgãos públicos de segurança e ordenamento que tudo funcione sem maiores problemas e, principalmente, sem tensionamentos, maior temor dos membros das religiões afro-brasileiras.

Entretanto, os representantes do grupo que organiza o show da cantora Sarah Farias, assim como a própria artista, não estão dando entrevistas e não se sabe se eles já acionaram o Poder Judiciário.

Segundo a Assessoria de Comunicação do Tribunal de Justiça de Alagoas (TJ/AL) não foi confirmado se o grupo de evangélicos deu entrada em alguma ação ou pedido de liminar por não se saber ao certo o nome da parte ingressante. Nem nas reuniões ocorridas na última segunda-feira (30/11) e terça-feira (01/12), eles confirmaram a qual igreja pertencem. 

Relatos de pessoas que participaram da discussão dão conta de que eles afirmaram que nenhuma igreja estava ali institucionalmente, apenas o grupo organizador do show de Sarah Farias.

Ato

Os grupos ligados às religiões afro-brasileiras estão convocando um ato para a manhã desta sexta-feira (04/12) em frente à sede do MPE no Barro Duro, parte alta de Maceió. O mote da manifestação é o combate à intolerância religiosa.

Igreja Batista apoia grupos afro

Em nota divulgada ontem (02/12), a Aliança de Batistas do Brasil, representada pela Igreja Batista do Pinheiro, lamentou o que considerou um “triste episódio de intolerância religiosa” o impasse entre os grupos das religiões afro-brasileiras e evangélicos.

“Não concordamos é que a oração se transforme em desculpa para a prática da intolerância, querendo por este pretexto ocupar espaço tradicional de outras religiões”, disse a Igreja Batista, através de sua pastoral da juventude.

A instituição religiosa destaca o genocídio da juventude negra e sua criminalização. “Cremos que nossa cidade, bem como o estado e país, devam estar permanentemente de joelhos diante das muitas dores do povo, principalmente para clamarem juntas contra o genocídio da juventude negra brasileira, que a cada dia tem sido criminalizada e violentada em suas raízes e memórias religiosas e políticas”.

Por fim, a nota da Igreja Batista defende que todos tenham uma postura de paz e entendimento para construção de um convívio de harmonia contra o espírito de conflito.
Pastor João Luiz

O deputado estadual Pastor João Luiz (DEM) usou a tribuna da Assembleia Legislativa do Estado (ALE) para criticar a postura do grupo de evangélicos que querem realizar um show na Praça Multieventos no mesmo dia das celebrações afro-brasileiras em homenagem à Iemanjá.

Para o parlamentar, trata-se de uma atitude “antibíblica e vergonhosa”. Ele destacou que os grupos afro-brasileiros realizam suas celebrações no local há vários anos e que os evangélicos deviam festejar em outro dia. João Luiz também questionou a origem do grupo que deseja realizar o show da cantora Sarah Farias na orla de Pajuçara.

“Ninguém sabe quem são esses evangélicos. E a Assembleia de Deus tem o maior número de fiéis aqui no estado. A do Evangelho Quadrangular é a segunda e eles não estão envolvidos nisso”.

O Pastor João Luiz lembra uma situação vivida na cidade de Mariana após a enxurrada de lama da mineradora Samarco/Vale que destruiu o local. Segundo ele, um dos poucos prédios que ficou de pé foi uma igreja católica e o padre daquela paróquia manteve as missas aos domingos, mas permitiu que igrejas evangélicas utilizassem o espaço para realizarem seus cultos. “Isso sim é amor e fé”, enfatiza.






Nenhum comentário: