segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Concílio Ecuménico encerrou há 50 anos no dia 8 de Dezembro

A Igreja Católica assinala a 8 de Dezembro os 50 anos do encerramento do II Concílio do Vaticano (1962-1965), acontecimento que marcou o catolicismo contemporâneo na sua identidade e na sua relação com a sociedade.

O professor José Eduardo Borges de Pinho no contexto dos 50 anos do Concílio Ecuménico Vaticano II assinala que há “dificuldade” em situar a Igreja face às suas orientações, mas “indiscutivelmente” a vida eclesial tem presente esses “frutos”.

“No dia-a-dia da nossa vida na Igreja estamos mergulhados em muitas coisas que são fruto do Concílio, nem damos propriamente conta disso”, começa por explicar o docente da Faculdade de Teologia, da Universidade Católica Portuguesa, destacando a “celebração litúrgica”, a “importância fundamental” dos leigos ou a “colegialidade episcopal”.

No dia 8 de dezembro assinalam-se os 50 anos da conclusão do Concílio Ecuménico Vaticano II (CVII) e o professor José Eduardo Borges de Pinho frisa que “indiscutivelmente” há muitos aspetos da vida da Igreja que são concretizações desta assembleia, ainda que “muita gente não tenha uma consciência” disso.

“Hoje a tarefa que temos não é mais fácil porque há problemas que se tornam mais percetíveis, temos de ser criativos para nos perguntarmos o que é aquilo que Deus pede hoje como cristãos católicos na receção do concílio, na sua aplicabilidade prática”, desenvolveu.

À Agência ECCLESIA, o entrevistado considera que meio século de receção do Concílio é ainda “muito pouco” e hoje o “problema é fundamentalmente de acolhimento vivencial”.

O docente relembra que depois do “marco significativo” que foi o Sínodo extraordinário dos Bispos, em 1985, houve um “grande esforço” de fazer uma análise “histórica rigorosa e o mais ampla possível”.

“Nem tudo o que na altura se sonhou já foi concretizado e sentimos que há limites, fragilidades da nossa própria vida eclesial que realmente poderiam e deveriam estar já superadas que não estão”, comenta o especialista em Eclesiologia.

Neste contexto, o professor catedrático da Faculdade de Teologia recordou, por exemplo, a colegialidade episcopal que “foi um tema complicado”, a realidade dos cristãos leigos onde deram-se passos “muito significativos, mas ainda muito pequenos” para o que pode e deve ser uma Igreja “verdadeiramente responsável no seu conjunto”.

O professor José Eduardo Borges de Pinho destaca ainda que a palavra “diálogo” é um “elemento-chave” do Concílio Ecuménico Vaticano II, a começar pelo “acolhimento de Deus”. “Não há outra forma de anunciar o Evangelho senão numa atitude de diálogo”, insiste.




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