sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Europa está cansada de tolerância? – Por Aleksei Danichev


No município dinamarquês de Randers os políticos querem garantir que em todas as entidades públicas seja servida carne suína e almôndegas. 

A exigência política veio como a resposta à aumentada religiosidade da sociedade, informa o site: Politico.dkCarne suína é um ingrediente tradicional da cozinha dinamarquesa, por isso deve ser servida em todas as entidades públicas, inclusive para crianças, independentemente da religião que professam ou da nacionalidade e cultura.

Pelo menos, a maioria burguesa (A Esquerda e o Partido Popular Dinamarquês, de extrema-direita) de Randers partilha da decisão e da respectiva opinião. A recém-divulgada exigência dos políticos fez reviver o diálogo antigo sobre a carne suína e cardápios em entidades públicas não só nesse município, mas também no Parlamento do país.

Já por vários anos em muitos jardins de infância e escolas preparatórias a carne suína e pratos que contêm essa carne não são servidos porque crianças de famílias muçulmanas não podem comê-la. À primeira vista, o problema tem a ver com a alimentação, mas na realidade toca questões de valores, diferenças culturais e o lugar da religião na vida secular.

Um representante do Partido Popular Dinamarquês, Frank Norgaard, divulgou ao jornal Politico que atualmente o país pode perder algo que mais cedo foi natural, para “contentar um grupo determinado”. 

Ninguém quer forçar crianças muçulmanas a comer almôndegas, explicou. Segundo Norgaard, só é preciso conseguir fazer aparecer carne suína no cardápio, e para aqueles que não podem comê-la, deve haver uma alternativa, por exemplo, carne de frango.

“Claro que vamos respeitar a religião, mas não à custa da boa comida dinamarquesa”, disse. A exigência dos dois partidos será considerada na próxima semana, e a decisão final será tomada pelo conselho de municipalidade até o fim do ano.

O comissário de questões da integração do Partido conservador, Naser Khader, declarou em entrevista ao jornal que a questão sobre o cardápio é da competência de conselhos municipais de cada cidade, mas ele compreende as razões para indignação em Randers.

“É preciso fazer com que a mostra de tolerância e respeito à minoria não prejudicaria a maioria. Nós vimos que em muitas entidades só a carne Halal [que corresponde às regras do Islã] é servida, mas há crianças de muitas famílias que estão contra Halal”, sublinhou.

Ele também chamou atenção ao fato que a tolerância vai fora de necessidade, argumentando a sua opinião pelo fato que durante as suas visitas à 20 de 22 países árabes existentes, nunca viu salas de oração em entidades públicos:

“Para que eles existem em Dinamarca? É demasiado. A sua religião pode ser seguida privadamente”. Os moradores também estão prontos para defender as suas tradições. “Obviamente, chegou a hora de insistir na carne suína”, insiste Martin Skriver, que habita na capital, Copenhague.








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