segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Homossexuais católicos portugueses saúdam decisão do Vaticano

No âmbito da preparação para o sínodo sobre a família que decorrerá em 2014, o Vaticano enviou às conferências de todo o mundo um inquérito, que aborda temas que, por vezes, dividiram a igreja católica, como a proibição do uso de contraceção, a possibilidade de um católico divorciado voltar a casar-se ou receber a comunhão e o número de jovens que optam por viver juntos antes de se casarem.

A Rumos Novos - Associação Homossexual Católica portuguesa congratulou-se hoje com a "atitude sem precedentes" do Vaticano ao questionar de uma forma "franca e aberta" as conferências episcopais sobre o divórcio, o casamento homossexual e a contracepção.

"Numa atitude sem precedentes, o Vaticano acaba de pedir aos bispos de todo o mundo que perguntem aos fiéis qual a sua opinião sobre os ensinamentos da igreja no que concerne à contracepção, ao casamento entre pessoas do mesmo sexo e ao divórcio", afirma a Rumos Novos, num comunicado enviado à agência Lusa.

A associação refere que "é com o coração cheio de júbilo" que os homossexuais católicos portugueses recebem esta notícia.

"Como católicos, não podemos deixar de reconhecer a atuação do Espírito Santo no seio da sua igreja, pois é a primeira vez que o Vaticano pediu tal tipo de opiniões aos católicos de base, pelo menos desde o pós-Vaticano II", observa.

A Rumos Novos sublinha que esta "notícia é tanto mais importante" tendo em conta algumas posições críticas tomadas pelo atual papa, quando ainda era primaz da Argentina, sobre os homossexuais e o casamento entre pessoas do mesmo sexo.

Para a associação, este inquérito representa também "um forte compromisso com o Vaticano II, que desafiou a Igreja a escutar os sinais dos tempos, para poder evangelizar de forma capaz, como Cristo ensinou".

Realça ainda a "abordagem franca, aberta e com espírito de partilha", em que, "finalmente, a hierarquia católica não se inibe de falar de união civil, casamento entre pessoas do mesmo sexo e adoção por casais de pessoas do mesmo sexo, sem ser para os condenar".

A Rumos Novos, que trabalha diariamente no acompanhamento, oração e partilha com homossexuais católicos portugueses, deseja que a Conferência Episcopal Portuguesa "saiba encontrar a melhor forma de levar este importante documento a toda a igreja nacional para que possa ser um verdadeiro documento de partilha".

"Fraternalmente desejamos que os Bispos portugueses sejam autenticamente encorajados pela Conferência Episcopal a realizarem esta ampla consulta dos leigos e sacerdotes", afirmam, acrescentando: "Se assim não for, teremos todos perdido uma grande oportunidade de ouvir a voz do Espírito Santo a trabalhar na Igreja".

A Rumos Novos encoraja "todos os fiéis, particularmente os fiéis homossexuais católicos, a fazerem ouvir as suas opiniões".

Para a associação, é chegado o momento de os homossexuais católicos agarrarem esta oportunidade e "fazer, mais uma vez, sentir à hierarquia católica a necessidade" de trabalhar pela inclusão dos homossexuais.





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