segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

“O teólogo é "pioneiro" do diálogo entre a Igreja e as culturas” – Disse o Papa à Comissão Teológica Internacional

O Papa recebeu ao fim da manhã desta sexta-feira, em audiência, juntamente com o Presidente, D. Muller, os Membros da Comissão Teológica Internacional, que acabavam de terminar a sua Sessão Plenária. 

No discurso que lhes dirigiu, o Papa pôs em realce a importância do serviço eclesial dos teólogos para a vida e missão do Povo de Deus. Citando o recente documento dessa mesma Comissão “A Teologia hoje: perspectivas, princípios, critérios”.

Francisco disse que a teologia é ciência e sapiência e que, como ciência “utiliza todos os recursos da razão iluminada pela fé a fim de penetrar na inteligência do mistério de Deus revelado em Jesus Cristo”. 

No aspecto da sapiência, tal como Nossa Senhora que “meditava tudo no seu coração, também o teólogo, prosseguiu o Papa, procura trazer ao de cima a unidade do projecto do amor de Deus e se empenha em mostrar como as verdades da fé formam uma unidade harmonicamente articulada”.

Além disso, o teólogo tem também a tarefa de “ouvir atentamente, discernir e interpretar as diversas linguagens do nosso tempo, e saber avaliá-los à luz da Palavra de Deus, a fim de que a verdade revelada seja compreendida”. 

Os teólogos são portanto, prosseguiu o Papa, os “pioneiros” do diálogo entre a Igreja e as culturas. Um diálogo que deve ser ao mesmo tempo crítico e benévolo, e favorecer o acolhimento da Palavra de Deus por parte dos homens de todas as nações raças, povos e línguas”.

Temas como as relações entre o monoteísmo e a violência, actualmente no centro da atenção dos teólogos, disse o Papa, vão nesta linha, isto é, a revelação de Deus é realmente um Boa Nova para todos, não uma ameaça. 

A fé no Deus único não pode gerar violência e intolerância. A Revelação de Deus em Jesus Cristo torna impossível qualquer recurso à violência em seu nome, frisou o Papa Francisco, recordando que a Doutrina Social da Igreja baseia-se precisamente na Palavra de Deus, acolhida, celebrada e vivida na Igreja. E a Igreja deve dar testemunho disso, vivendo-a antes de mais no seu seio, e construindo um modelo de vida atractivo para todas as comunidades humanas.

A Igreja pelo dom do Espírito Santo possui o sentido da fé e é tarefa dos teólogos, disse o Papa, “elaborar os critérios que permitem discernir as expressões autenticas do sentido da fé. Por seu lado o Magistério tem o dever estar atento ao que o Espírito diz à Igreja através das manifestações autenticas do sentido da fé". 


O Papa concluiu dizendo aos teólogos que a sua missão é ao mesmo tempo “fascinante e arriscada”, na medida em que, se por um lado e ensino da Teologia pode tornar-se num caminho de santidade, por outro comporta a tentação da aridez do coração, o orgulho e mesmo a ambição, relegando para segundo plano a oração, a devoção, a humildade. 




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