segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Psicólogos manifestam-se contra religião – Por Marcelo Caixeta

Em matéria publicada no Diário da Manhã, sábado, 7.12, Conselho Federal de Psicologia diz-se contra os programas televisivos religiosos. 
Diz que o “Estado é laico” e que é o “Estado que é detentor das concessões televisivas”. Diz também que “segmentos religiosos, como os afro-brasileiros, não têm vez neste sistema”. É um tipo de “luta” que revela o seguinte: 

1) é a luta contra a autoridade, que já chegou à luta contra Deus. 

2) é a luta antifálica feminista, que já chegou ao Falo de Deus
3) é a luta pelo Estatismo e contra a Sociedade Civil, que já chega à religião (“o Estado tem de controlar melhor as concessões que ele dá aos canais televisivos”). 
4) é a luta pela Censura, que imperceptivelmente arrocha suas garras. 
5) é claro que há os enormes picaretas televisivos da Religião, mas é também claro que as psicólogas, como boas governistas antifálicas que são, não estão, de fato, preocupados com estes.
6) “luta pró-coitadista”: “os afros não tem representação contra as “religiões brancas” (ou seja, mais uma utilização do “coitadismo” a favor de causas corporativistas e estatizantes).
A argumentação do Conselho Federal de Psicologia é muito frágil, pois os canais evangélicos, ou religiosos (há muitos católicos também), espíritas (há alguns), maçons, seicho-no-ies, etc., não são propriedade do governo. 

Bem que os psicólogos, como bons “esquerdistas-do-tipo-ao-Estado-tudo”, gostariam muito de aumentar este poder, que é justamente aquele poder importante para dar-lhes mais cabides de empregos e poder nas instituições estatais. 
Por exemplo, 33 mil cargos em Centros Psicológicos do governo (Caps) Brasil afora. Portanto, mais poder ao Estado é fundamental.
Na argumentação antirreligião na TV deles há um grande erro: qualquer religião, seita, filosofia, etc., que queira um canal (e tenha politicagem suficiente para isto, pois é o todo-poderoso-Estado quem decide isto), o consegue. Na verdade, atacam a religião por um pacote de motivos, bem complexos: 
1) querem surfar na tendência mundial antiautoridade. 
2) esta tendência quer a “liberdade total”, quer livrar-se de “todas as amarras”. 
3) Tudo bem, isto é bom, mas há de convir-se que há muitas, mas muitas mesmo, pessoas que querem algum tipo de “amarra” justamente para controlar seu comportamento que, sozinhas, não conseguem controlar.
Eu mesmo, se não fossem minhas convicções religiosas (tenho religiosidade, não religião, não frequento nada, não sou evangélico, católico, etc., não gosto de nenhum sacerdócio organizado, não faço parte de grupos religiosos, etc.), seria o maior tarado, o maior criminoso, o maior assassino, o maior Mengele (o “louco médico” nazista). 
Eu escolhi a “amarra” da religião, pois sem ela eu seria um ser muito pior do que eu sou. Seria pior para os outros, para a sociedade, para o País, ou seja, isto interfere na ética, na moral, na política, coisas que, segundo os “liberalizantes antirreligião” não teria nada a ver com religião.
É claro que eu sou contra as religiões, enganadoras, as que ficam ricas, usam milagres e dor, querem controlar o País, querem impor regras, morais, comportamentos (minha religião é raciocinada, não tem um pingo de dogma). 
Então, sou contra 99% das religiões que estão por aí. No entanto, assim como não podemos impedir um canal gay, um canal afro, um canal cubano, francês, etc., não podemos impedir um canal religioso. 
Há pessoas que precisam e querem determinado nível de controle, determinado nível de religião. Para cada nível de desenvolvimento psíquico, há um determinado nível de necessidade religiosa. 
O que os psicólogos querem, os esquerdistas querem, é cooptar as pessoas que se sentem incomodadas, ou com medo do controle teocrático ou com medo de terem de controlar o próprio comportamento. 
Uma vez que o Brasil não padece nenhum iminente risco teocrático (pelo menos não tão grande como o real risco comunista), só posso entender que há pessoas que se sentem incomodadas por existir explícita uma “moral que lhes é jogada na cara”, uma moral que não querem ou não conseguem aplicar a si mesmas.
A anulação da “autoridade”, que é o mote do esquerdismopsicologismo, é genialmente, inteligentemente, esquizo frenizante (o objetivo é confundir) pelos motivos: 
1) aproveita-se de uma demanda legítima (“ficarmos livres dos escrotos autoritários”). 
2) para criar uma demanda insana: lidar contra as forças evolutivas do Universo. (Estas forças indicam que há pessoas mais inteligentes que outras, mais trabalhadoras, mais morais, “mais boas”, mais competentes para a liderança). 
3) Querem negar que o Universo tem uma “ordem”, um “sentido” evolutivo. É a velha discussão “determinismo não determinismo” de Espinosa contra os céticos. 
4) Querem anular a lei principal: somos responsáveis pelos nossos atos, somos responsáveis pelo mal que causamos a outrem ou a nós mesmos.
Revoltar-se contra uma “ordem do Universo” é uma tentativa de justificar a própria liberdade de “fazer-se o que quiser”. É claro, podemos fazer o que queremos, mas com isto ficamos estagnados na evolução, e ainda por cima sofremos as pesadas consequências. Não se revoga a lei da evolução por um pretenso “não-determinismo-pseudohumanista”.
O que é pior é que esta discussão, partindo do Conselho Federal de Psicologia, não visa o esclarecimento, não visa o “bem”, visa uma dominação política travestida em forma de libertação. Visa cooptar todos contra as “pretensas autoridades”, aí inclusos não só os sacerdotes, os religiosos, mas também os médicos, Deus, os empresários, etc. Tudo em nome de uma “massa livre e amorfa” (livre e amorfa só para os bobos, pois as lideranças deles, vide Lula e quejandos, logo vêm e assumem as rédeas dos “libertados”).
Portanto, a discussão não é religiosa, é política. É de um grupo (psicologos) como milhares de outros Brasil afora, que utilizam-se das pretensas liberdades apenas para cevar o covil, permitindo a emergência dos seus “verdadeiros líderes” (Lulas e Dirceus da vida). Não há nada de libertação nisto. 
Há, sim, muita conveniência política e econômica, p.ex., mais cargos em órgãos do governo e fim dos grandes concorrentes dos psicólogos, os religiosos (p.ex., 94% das entidades antidrogas no Brasil são religiosas; imaginem como seria bom se estas entidades estivessem na mão dos psicólogos, que “mercado de trabalho” se abriria para eles...)
O canto da sereia é: “seja feliz, seja livre, liberte-se do patrão, do pai, da moral, da religião”. Que prática libertária linda!! É claro que é bom ficar livre de Hitler, mas coisa muito diferente é querer anular o “ditador” que temos dentro de nós, que, em muitos casos, é quem nos impede de virarmos monstros.
E, este ditador que temos dentro de nós, que nos impede de sermos monstros, precisamos construí-lo por “fora”, com dados externos, inclusive da religião, pois de nós por nós mesmos não o conseguimos. 
O universo, o outro, as leis, as regras, ou seja, tudo que é “externo” é, sim , constrangedor, é, sim, limitante. Mas sem este outro, sem este “exterior”, viramos seres ovoides monstruosos, encapsulados conosco mesmos, paralisados pelo autoprazer, pelo ódio, pela vingança narcísica
Eu, por exemplo, sempre fui um desequilibrado, já sofri de bulimia nervosa (comer até “morrer” e vomitar), um egoísta agressivo, um suicida, um inconsequente, irritado, impulsivo, antissocial, megalomaníaco perverso e “assassino” (“se eu pudesse eu matava mil”) . 
O entendimento das leis do Universo me levou para o Outro e este outro, na forma de meus pacientes, amigos, mulher, pais, filhos, me “curaram”. Isto sim foi “controle externo”, isto sim foi religião. 

Freud teria me curado? Penso que não, inclusive porque já fiz psicanálise, não só como paciente, mas como terapeuta... Os psicólogos temem e abominam esta ideia, a de que há algo, que não sua ciência, que possa “curar a alma de alguém”.
O esquerdismo, o estatismo, precisa “acabar” com este “controle externo”, precisa acabar com esta “ordem externa”, pois isto indica que há uma hierarquia. O esquerdismopsicologismo combate que há uma “ordem”, uma “direção”, um “sentido” no Universo. 
Eles tem de criar a ilusão de que não há nada disto, tem de criar a ilusão de que “somos todos iguais”, a ilusão de que “a manifestação de todos é igualmente válida”. No meu entender, baseado na argumentação acima, há, sim, alguns mais evoluídos que outros; no meu entender, há sim, autoridades, morais, evolutivas. 
A quebra da hierarquização é fundamental para a filosofia do esquerdismo, isto para “igualar a todos numa massa comum de “liberdade-de-vontade” (minha vontade é igual a sua, tem o mesmo direito que a sua) até o ponto que chegam os líderes deles e dominam tudo (só que, como Lula, o fazem muito “democraticamente”, não são líderes, são “condutores” e isto é diferente...)
Um dos princípios deste exato Universo é o da “liberdade-de-cada-um-poder-fazer-o-que-quiser”, inclusive “não-evoluir”. Então, isto que é difícil entender para este pessoal, que esta hierarquização, esta autoridade, só pode ser exercida sobre um indivíduo se o indivíduo quiser, não pode ser imposta a ele. 
Mas no Brasil não há nenhuma “religião impositiva”, nenhuma religião oficial, portanto não há, ao contrário do que pensam os psicólogos, nada a ser combatido. Vai quem quer. 
Mais uma vez, o esquerdismo, genialmente, aproveita-se de um princípio válido (“não deixar que ninguem nos oprima”) para jogar o bebê fora junto com a água da banheira: “não há autoridade legítima”
O petismo, assim como o comunismo, aproveita-se exatamente disto: o discurso de um Estado forte e autoritário dizendo-se antiautoridade. A dinâmica é a seguinte: 
1) passam para o povo a seguinte mensagem: “somos todos iguais”, entre nós não existe o “patrão”, o “chefe”, o “rico”, o “mais inteligente”, o “mais moral”, etc. 
2) Continuam sua mensagem para o povo: “O Estado não manda em você, o Estado apenas administra o que é nosso, o Estado está a seu serviço”.
3) É muito fácil enganar o povão neste sentido: é o populismo. 
4) Só os mais intelectualizados conseguem ver o engodo. Neste momento entra em ação a “patrulha ideológica”, a “censura”, a “compra dos intelectuais com empregos públicos” (“todos são professores de universidades públicas), o esmagamento da sociedade civil. 
Tudo é feito dentro do Estado esquerdista para “apagar” a imagem da própria autoridade perante o povão. Ou então, para passar para o povão a imagem do “Estado-Paizinho”, o “Estado-condutor-dos-povos”, o “Estado-mãe-Rússia”, ou seja, fazem tudo para dar uma imagem “materna” (e não autoritária-patriarcal) ao Estado. 
Isto, na Rússia é muito visível na figura que o Absolutismo (tanto de direita quanto esquerda) cunhou por lá: a figura da “Mãezinha-Rússia”.
Se estivessem mesmo preocupados com os estragos feitos pela TV estariam preocupados é com a pornografia que grassa solta por lá. Ou será que uma missa ou um culto é mais “psicologicamente deletério” do que uma suruba? 
Marcelo Caixeta, psiquiatra




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