quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Teólogos debatem temas como Deus, fé e Natal durante o ano todo – Por Gabriela Lima

Estudiosos analisam data em que se comemora o nascimento de Cristo. A Teologia é considerada como ciência pelo MEC desde 2002.

Com a chegada do Natal, data em que os cristãos comemoram o nascimento de Jesus Cristo, muitas pessoas voltam o pensamento para Deus. Mas para uma turma, o assunto é tema de reflexão o ano inteiro. São os alunos de teologia, curso que estuda as grandes religiões mundiais: judaísmo, islamismo, cristianismo, budismo, hinduísmo e cristianismo (protestante, católico romano e espírita).

Atualmente, quatro cursos presenciais estão autorizados pelo Ministério da Educação (MEC) em Goiás. Todos eles com temática cristã. Durante as aulas, entre os temas debatidos entra o dia 25 de dezembro, quando os cristãos comemoram o nascimento de Jesus. Para alguns estudiosos, a data tem comprovação histórica. Para outros, não.

"Os evangelistas não se ativeram a esse data. Naquele período, ainda não havia o calendário solar [gregoriano]. Hoje, fazendo estudos maiores, não há comprovoção histórica do dia, mas acredita que tenha sido no período de dezembro", diz o padre David Pereira de Jesus, diretor acadêmico de Filosofia e Teologia do Instituto Santa Cruz, que ministra o curso em parceria com a Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-GO).

Diretor-mantenedor da Faculdade de Teologia de Goiás (Fatego), o pastor Gilsemar Sousa Brandão tem uma visão diferente. "O dia 25 de dezembro é dia da morte de São Nicolau. A data foi absolvida pela igreja. Mas a data mais provável para o nascimento de Cristo é no período entre 25 de fevereiro até 1º de abril, era época de colheita de Israel", argumenta.

Polêmica à parte, nenhuma das vertentes questiona a importância do nascimento de Cristo para diversas religiões. Padre David lembra que, além de ser considerado o filho de Deus e salvador pelos cristãos, ele também é um dos mais importantes profetas do islamismo e dividiu a contagem do tempo no mundo ocidental em antes e depois do seu nascimento.

Vertente católica

Um dos mais tradicionais da capital, o curso da PUC-GO, como o nome da instituição sugere, é cristão católico. Padre David explica que, nas aulas, o teólogo estuda a igreja, os dogmas, e homem e a sociologia das religiões. As disciplinas são oferecidas tanto para leigos quanto para quem quer se dedicar à vida religiosa.

No entanto, ele afirma que no Brasil há faculdades de teologia judaica, messiânica, adventista e até de umbanda. Segundo dados do MEC, o senso do ensino superior de 2012 registrava 111 cursos em diversos estados brasileiros.

O perfil dos estudantes de teologia na PUC, segundo padre David, varia de acordo com o turno. "Pela manhã, o curso é composto, em sua maioria, por seminaristas. Nas turmas do período noturno há a predominância de pessoas que estão procurando o aprofundamento na fé ou querem ser professores de ensino religioso", relata.

Entre os alunos que buscam o estudo sobre Deus está Hugo de Paula Prudente, de 30 anos. Casado e formado em engenharia civil, ele conta que sempre foi católico por tradição, mas não era praticante. 

"A princípio, procurei fazer o curso para aumentar o conhecimento e aprofundar a fé, mas agora percebo que a minha vocação é maior. Não é só para o meu conhecimento, é para servir o próximo", afirma.

A Ciência também diz que a licenciatura tem atraído cada vez mais pessoas que querem dar aulas de ensino religioso no ensino fundamental. "A maioria dos nossos alunos procura o curso para depois prestar concurso", explica.

Brandão explica que a teologia não pertence a nenhuma denominação religiosa e é reconhecida como uma ciência pelo MEC desde 2002. No entanto, na maioria das faculdades brasileiras, o curso é baseado na Bíblia.

O pastor admite a ótica Cristã na Fatego, mas ressalta: "O que se prega nas igrejas católicas e protestantes são filosofias religiosas. A teologia é diferente da filosofia da religião. Estuda o que está escrito nos pergaminhos", diz.

Formado em direito, teologia, pedagogia e pós-graduado em ciências sociais das religiões, o pastor garante: "Teologia é vida. É um curso muito especial".





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