quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Etiquetas no Budismo Tibetano - Por S.Ema. Gyalwa Dokhampa Jigme Pema Nyinjadh

Esta breve introdução serve apenas como um guia básico para iniciantes e seguidores da tradição budista tibetana. Pode variar de acordo com as diferentes preferências de diferentes escolas. 

De qualquer modo, os elementos mais importantes para seguir um caminho espiritual são a motivação de praticar o Dharma e a genuína sinceridade em receber as instruções de um Guru autêntico.

A.    Na Presença de um Guru

1.    Rinpotche em tibetano significa “Precioso”. Geralmente, esta é uma forma honorífica de endereçar alguém reconhecido como um Tulku (que significa ‘uma grande reencarnação’). Um(a) Rinpotche quase sempre passou  por extensos treinamentos desde a mais tenra idade,  ou após ter sido descoberto (a) e reconhecido(a). A razão principal para seus contínuos renascimentos é a de beneficiar os seres, mesmo que na condição de uma situacao mundana. Ele, ou ela, esforça-se para revelar os potenciais espirituais de cada indivíduo que venha a entrar em contato. Portanto, um Rinpotche continua a renascer neste mundo para aperfeiçoar a sua própria capacidade de atingir a iluminação, através do benefício de todos aqueles que estão conectados com ele ou ela. Na medida em que toda sua vida é dedicada para o bem-estar dos outros, livre de considerações egoístas, um Rinpotche é aquele “Precioso” que merece muito respeito e sinceridade, bem como, um tratamento atencioso.

2.    Lama em tibetano significa ‘Guru’. Um Guru é um mestre espiritual que tem a capacidade de guiar aqueles que o sigam no caminho para a iluminação. Isso significa que um Lama deveria ser um grande e realizado ser. Portanto, de acordo com a tradição antiga do budismo tibetano, o termo ‘Lama’ não poderia ser utilizado livremente. No entanto, hoje em dia, a maioria dos monges tibetanos são geralmente endereçados como Lamas, independentemente de suas qualificações espirituais, como uma forma respeitosa para com as suas responsabilidades monásticas e sua representação como a sangha monástica.

3.    Segundo a tradição tibetana, quando se saúda um Rinpotche ou um monge/monja, oferece-se um khatag branco (lenço de seda). Caso ele ou ela seja um grande Rinpotche e ocorra de ele ser seu próprio Guru, é recomendado prostrar-se três vezes a ele na chegada, antes do oferecimento do khatag.

4.    Na partida, não é recomendado prostrar-se ao Guru, pois isto simbolizaria que se tenha decidido cortar a relação ou conexão com ele ou ela e que não se deseja encontrá-lo novamente em vidas futuras.

5.    Caso decida-se pedir por alguma instrução, ensinamentos, empoderamentos, audiências privadas, etc., recomenda-se fazer alguma forma de oferenda. Por exemplo, suporte financeiro ou outros itens simbólicos, tais como frutas, flores ou qualquer coisa que se considera como precioso para si mesmo. As oferendas podem ser ofertadas como presents, ou envolvidas em um khatag. Fazer uma oferenda pela qual se tem um forte apego, capacita a acumulação de infinitos méritos e a eliminação do apego egoísta. Estes são os dois principais propósitos de fazer-se oferendas aos iluminados e à sua comitiva.

6.    Embora a maioria dos Gurus não demandem tratamentos específicos e deixem os indivíduos se portarem naturalmente em sua presença, é sempre recomendável, para o próprio bem dos praticantes e devotos, permanecerem em um comportamento admissível e adequado na presença de Gurus e de sua comitiva:

a)  quando um Guru entrar em uma sala, levante-se cordialmente ou curve-se levemente caso estiver sentado, demonstrando o reconhecimento de sua presença.

b) quando o Guru entrar na sala, imediatamente ofereça a ele uma cadeira ou um assento mais alto.

c)  embora a maioria dos Gurus venham a convidar indivíduos a sentarem-se com eles em um mesmo nível, é sempre recomendado recusar seu convite e insistir para sentar em assentos mais baixos ou no chão.

d)  somente tome o seu assento depois de que o Guru e sua comitiva tenham sentado confortavelmente em seus devidos lugares.

e)  sempre esteja atento para com a saúde do Guru. Ainda que ele ou ela, ou mesmo que seus próprios atendentes, façam quaisquer solicitações específicas, tais como oferecer água para beber ou lavar, solicitar toalhas quentes, refrescos, etc., alguns Gurus podem sofrer problemas de saúde que os impeçam de comer certos tipos de  alimentos. Assim, se não nos certificarmos adequadamente, poderemos acabar oferecendo alimentos que possam vir a ser prejudiciais à saúde dos Gurus.

f.   ainda que genuínos e realizados Gurus sejam manifestações de seres iluminados, eles têm tomado formas humanas para o nosso próprio bem, portanto, eles também necessitam de descanço. É de responsabilidade dos seus seguidores agendar adequadamente períodos de descanço e  horários para audiências públicas ou privadas, bem como, o tempo destinado a instruções e ensinamentos.

g.    antes de realizar quaisquer atividades que exijam a presença do Guru, deve-se primeiro perguntar diretamente a ele  próprio ou informar-se com seus atendentes a respeito da vontade do Guru. Caso o Guru recuse, não insista.

B.    Em um Monastério ou Santuário (Shrine)

1.    Um monastério ou um santuário (Shrine) é considerado como sendo a Mandala do Guru, onde os sagrados ensinamentos dos Buddhas e dos iluminados são explanados. Portanto, deveria-se manter uma atitude respeitosa ao estar em um monastério ou santuário (Shrine).

2.     A postura adequada é sentar-se de pernas cruzadas, em uma almofada no chão. Caso isto seja difícil devido a um desconforto ou problema físico específico, a pessoa deve se sentar em uma cadeira ao fundo da sala do  santuário. A postura de pernas cruzadas ou de lótus é uma postura que expressa e produz a atitude de contemplação, respeito e receptividade para com a verdade e significado dos ensinamentos. Não se sente com as pernas estendidas à sua frente e não se deite, pois estes são sinais de desrespeito e indelicadeza. Sentar de pernas cruzadas ou mesmo em uma cadeira pode vir a ser desconfortável após uma longa sessão de ensinamentos, portanto, é permitido fazer-se leves ajustes posturais. Quanto mais senta-se de pernas cruzadas, mais acostuma-se com essa postura. Sentar-se de pernas cruzadas faz parte da prática espiritual. A capacidade de sentar-se por várias horas é uma coisa importante para praticantes espirituais atingirem a maestria.

3.     Deve-se tirar os calçados e deixá-los na porta antes de entrar em um monastério ou santuário. Chapéus não devem ser usados. Saias curtas e trajes reveladores (roupas justas e decotadas) não são indicados. Ao usar uma saia chanel de cumprimento ¾, quando sentada, deve-se colocar um xale para cobrir as pernas. Sob quaisquer circunstâncias, não se deve distrair celibatários, isto é, os monges e monjas, de suas práticas no monastério ou santuário. A conversação deve ser mínima em um santuário, pois a maioria das pessoas que ali estão, praticam meditação silenciosa ou contemplações.

4.     Não coloque livros do Dharma e textos de orações no chão. Na medida que eles contém a verdade universal, devem ser postos sobre uma mesa ou almofada como uma forma de respeito. Não deve-se caminhar, pisar ou sentar sobre eles. Ambos os Dharmas, coloquial e literário, devem ser tratados respeitosamente. Portanto, a menos que se esteja servindo chá ao Guru, à sua comitiva ou ao público, ou esteja-se encontrando algum desconforto físico, não deveria-se caminhar para fora e para dentro quando em ensinamentos e orações, pois isso poderia distrair os outros e seria também uma demonstração de desrespeito para com o Guru que estiver ensinando. Pode-se sair livremente durante a sessão de perguntas e respostas (P&R), uma vez que este é o momento que a transmissão formal do Guru foi concluída.

5.     Ao entrar em um santuário, o praticante pode prostrar-se três vezes em direção ao altar ou curvar-se levemente com as palmas juntas na altura do coração. A prostração significa, na verdade, a rendição de nosso próprio ego e apego para o benefício de todos os seres. É uma renovação dos Votos de Bodhisattva que requerem a oferenda de si mesmo para o bem-estar dos outros e para a geração da atitude iluminada.

Este foi um conselho informal dado por S.Ema. Gyalwa Dokhampa Jigme Pema Nyinjadh aos seus alunos com respeito ao desenvolvimento da humildade e devoção através do adotar a etiqueta e disciplina física corretas.




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