segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Fé movimenta economias de municípios de MG que fazem da religiosidade alternativa de renda - Por Carolina Mansur e Paulo Henrique Lobato

A fé movimenta as economias de municípios mineiros que fizeram da religiosidade dos visitantes alternativa de geração de emprego e renda. 

Desde que foi beatificada, em maio do ano passado, Nhá Chica transformou Baependi, no Sul de Minas, em um dos destinos mais procurados, que congrega romeiros e turistas em visita às vizinhas Caxambu e São Lourenço, municípios do Circuito das Águas. 

Embora Baependi já atraísse seguidores da beata, o movimento cresceu significativamente com o reconhecimento do Vaticano. Segundo o secretário municipal de Turismo e Meio Ambiente, Felipe Condé, o universo de visitantes saiu de 500 para 1,5 mil nos fins de semana, um aumento de 200%.

Com o avanço e o maior interesse dos religiosos de conhecer a história e a cidade onde a beata viveu, o artesanato prosperou. “Um terço da população (de 18,5 mil habitantes) tem no artesanato a sua renda principal e se apropriou da arte temática que leva a imagem de Nhá Chica”, conta Condé. 

A feira de artesãos, que antes contava com 20 expositores, hoje reúne 40 e tem fila de espera. Os visitantes fortaleceram a economia local, que recebeu investimentos em cinco restaurantes em menos de um ano, além de empresas prestadoras de serviços de transportes.

Já Leandro Ferreira, no Centro-Oeste de Minas, onde foi enterrado o corpo de Padre Libério, falecido em 21 de dezembro de 1980, é considerada a cidade da fé, como anuncia a placa na entrada da cidade. A data de nascimento do vigário, em 30 de junho, é a mais procurada por romeiros. 

A população aguarda que ele seja beatificado. Mesmo sem o reconhecimento do Vaticano, os devotos do padre lotam a cidade, que chega a receber 10 mil visitantes em caminhadas e cavalgadas. Restaurantes e todo o comércio se beneficiam. Imagens e artigos religiosos, como quadros, broches e terços que levam a imagem de Padre Libério, são, também, bastante procurados.

A vendedora do Museu de Padre Libério Ana Antônio Teixeira, que foi batizada pelo religioso, vive da renda proveniente das vendas de camisas com a imagem do padre estampada a R$ 25. Ela afirma que a memória dele ajuda a movimentar a economia do município. 

“A fé nele é muito grande e garante as vendas”, diz. O comércio de imagens de Padre Libério também contribui para o sustento da família da feirante Marinete Gomes Julião, que saiu de Rondônia há três anos e se casou com um morador da região. 

“As imagens são as lembranças que mais vendo. Elas vêm de Aparecida (SP) e custam de R$ 10 a R$ 25”, conta.

Em Baependi, os artesão têm no portfólio produtos para todos os gostos e bolsos e os preços das peças variam de R$ 2, por panos de prato, a R$ 80, os estandartes feitos a mão. Já as peças de tapeçaria são vendidas entre R$ 80 e R$ 150. A cidade, que até 2008 tinha como força motriz de sua receita o beneficiamento da pedra são tomé, viu no turismo religioso a oportunidade de diversificar suas atividades. 

“A beatificação trouxe ânimo à economia e incentivou pequenas indústrias caseiras de imagens e de artesanato”, diz o secretário Felipe Condé. O tíquete médio de compras dos romeiros é estimado em R$ 25 por dia e os gastos dos demais turistas são calculados em R$ 106, na média, por dia.


Maria José Rocha de Abreu Salomé, presidente da Associação dos Produtores Artesanais de Baependi (Apab), lembra o avanço na qualidade dos produtos promovido pela demanda dos visitantes. 

“Antes, tínhamos dificuldade de trabalhar de forma associada e demorou muito para fortalecer esse segmento. Com o foco em Nhá Chica, conseguimos qualificar o nosso trabalho e profissionalizar os artesãos”, comenta.



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