quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

'A Morte e seus Mistérios', ao amigo Almiro - Por Ivo Benitez

Ao amigo Almiro.

Um sentimento de profundo pesar me abateu esta manhã, ao receber a noticia do falecimento do amigo Dr. Almiro, e procurei evitar pensamentos tristes, mas é incrível como o coração da gente se aperta num momento desses. Ao ouvir a notícia e a confirmação nos meios de comunicação modernos, não cabiam mais dúvidas, o amigo havia partido e, imaginando as manifestações de inúmeros amigos, pus-me a pensar no fenômeno morte.

Sentimentos diversos nos invadem nessas ocasiões, mas o que mais toca, sempre, é a sensação forte da perda irreparável.

Eu era garoto quando o conheci, chegando em Fátima do Sul recém formado em medicina. Na época eu estava envolvido em tentativas de traduzir os muitos medicamentos que eram doados pelo povo dos EUA, e que por estarem em inglês pouca utilidade estavam tendo nesse rincão de Mato Grosso do Sul.

Com a chegada desse grande médico, as coisas mudaram e o atendimento foi facilitado a todos os necessitados, pois bem sabemos que nunca negou atenção a quem quer que fosse, rapidamente devolvendo a saúde aos que lhe procuravam, sem distinção. Desde essa época convivi com o Dr. Almiro, até mesmo acompanhando-o nos primeiros momentos em que enfrentou a direção de jipes quase sem freios para poder chegar às residências mais distantes, com direito a toda poeira ou atoleiros que tanto preocupavam os que se arriscavam pela zona rural.

Muitas doutrinas, filosofias e religiões procuram esclarecer a morte. Os ocidentais geralmente a encaram com desespero, choro e muita tristeza. No oriente cujas civilizações são tidas como mais antigas, há regiões em que a morte é encarada com alegrias e grandes festas em homenagem ao falecido. Explicam que o mundo terreno é cheio de pecados, é um mundo onde não se atinge a perfeição, e a morte seria o único caminho para o homem conseguir transformar-se em ser perfeito e feliz. Assim, a cada vez que uma pessoa morre, celebram com júbilo a sua passagem ao mundo perfeito.

Voltando ao nosso ocidente, o espiritismo procura explicar a necessidade de desencarnar como uma etapa de evolução do espírito. Já as religiões com bases cristãs não admitem a reencarnação, reconhecendo, porém, que a morte é a passagem para a vida eterna, sendo o céu o prêmio aos que foram bons na vida terrena. Daí a questão: se todo mundo quer o céu, porque o medo da morte?

Procurei escrever estas palavras quando senti que a tristeza se abateu sobre todos que o conhecia, aquele sentimento de frustração, de impotência, e a vontade de não querer acreditar.

Partindo da premissa de que o médico Dr. Almiro foi convocado às pressas para reforçar o Pronto Socorro do Céu, pergunto: porque a nossa tristeza é tão grande? Será que não confiamos na nossa religião?

Muitos teólogos já escreveram tratados e tratados sobre o tema, mas nenhum conseguiu explicar ou tirar de nossa garganta aquela engasgada diante da notícia do passamento de alguém tão querido. Isso é contra a religião? Não. É apenas a demonstração de que somos humanos, e que esse alguém que se foi vai nos fazer falta, muita falta.

Almiro, você nos deixa, mas permanecerá em nós a lembrança de um companheiro alegre, que também nos queria ver alegres. Vamos chorar hoje, mas sempre nos lembraremos de você, que sempre tinha um sorriso para atender a todos, e a todos encorajava nos momentos mais difíceis.

Podemos dizer, não tenha medo do seu futuro, pois o seu passado entre nós é prova de que foi um bom filho, um bom pai, um bom médico. Mesmo que doa a sua ausência, ainda assim você será sempre uma boa lembrança, e nos restará a certeza de que, sendo médico lá no céu, companheiro como sempre foi, certamente de lá ainda estará a olhar por nós.






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