terça-feira, 15 de abril de 2014

Não há espaço para a violência religiosa nos EUA, diz Obama

Após os ataques de domingo que mataram três pessoas em duas instituições judaicas de um subúrbio de Kansas City, entre elas um jovem de 14 anos, o presidente americano, Barack Obama, lamentou a intolerância que ainda existe no país. 

Em discurso na Casa Branca nesta segunda-feira, Obama afirmou que a violência religiosa "não tem espaço" na sociedade americana.

"Ninguém deveria ficar preocupado com sua segurança quando está reunido com seus companheiros de credo. Ninguém deveria temer por sua segurança ao rezar", criticou o presidente. "Nós vemos o que acontece pelo mundo quando este tipo de violência baseada na religião vem à tona".

Apenas na região metropolitana de Kansas City, na divisa com o estado do Missouri, a população judaica é de aproximadamente 20 mil pessoas. Obama afirmou que a Casa Branca dará a ajuda necessária às duas instuições atacadas no domingo. Ele fez um apelo contra a intolerância.

"Devemos continuar unidos para além da fé para combater a ignorância e a intolerância, incluindo o antissemitismo, porque elas conduzem ao ódio e à violência. Como americanos, temos que nos manter unidos contra este tipo terrível de violência, que não tem espaço em nossa sociedade".

O presidente americano lamentou o ocorrido em meio ao Domingo de Ramos e as preparações para o Pessach, a páscoa judaica. Ele lembrou o encontro que teve recentemente com o Papa Francisco, dizendo que o líder católico tem inspirado cada vez mais pessoas ao redor do mundo por suas atitudes "simples, mas profundas".

O procurador-geral dos EUA, Eric Holder, se disse "horrorizado" com os crimes e emitiu um comunicado nesta segunda pedindo ajuda federal para decidir se os casos de crimes de ódio devem ser considerados hediondos.

Frazier Glenn Cross tinha passado antissemita

De acordo com a ONG Southern Poverty Law Center, que monitora grupos que pregam o ódio, o acusado de fazer os disparos já tinha um passado antissemita com a Ku Klux Klan. Frazier Glenn Cross, de 73 anos, foi grão-dragão, posição de liderança na organização, dos Cavaleiros da Carolina, braço paramilitar da KKK que atua na Carolina do Norte.

Cross atirou em duas pessoas no Centro Comunitário Judaico da Região Metropolitana de Kansas City, em Overland Park: Reat Griffin Underwood, de 14 anos, aluno do primeiro ano do ensino médio, e seu avô, William Corporon, segundo nota divulgada por um familiar. Ele então dirigiu até um asilo judaico e atirou em Terri LeManno, terapeuta ocupacional. Cross foi encontrado e detido no estacionamento de uma escola primária. Ele será levado para depôr à corte na tarde desta segunda.

Segundo o jornal "New York Times", o suposto autor dos disparos, cujo sobrenome foi trocado para fazer alusão à palavra "cruz", gritou "Heil Hitler" enquanto era levado por policiais em Kansas City. 

O Instituto de Pesquisa e Educação sobre Direitos Humanos (IREHR) confirmou que o autor dos disparos idolatrava Adolf Hitler. A declaração vem de um comunicado emitido por seu presidente, Leonard Zeskind.

A Southern Poverty Law Center afirmou em nota que Cross postava na internet conteúdo de ódio, como frases que diziam "Sem judeus, tudo certo". 

Ele havia sido preso em 1987 ao ser flagrado com granadas, armas automáticas e munição e ficou três anos em reclusão, em troca de informações sobre outros supremacistas. Em 2012, o FBI registrou 674 incidentes de caráter antissemita nos Estados Unidos.



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