quinta-feira, 29 de maio de 2014

Com foco na fé, empresário cria franquia para evangélicos e umbandistas – Por Afonso Ferreira

Lançada em março de 2014, a franquia Origem da Fé, que vende artigos religiosos e esotéricos para católicos, evangélicos, umbandistas e seguidores de outras crenças, quer abrir mais seis unidades até o final do ano; as lojas da rede comercializam itens como incensos, imagens de santos, bruxas e guerreiros, camisetas, CDs e livros.

A fé de católicos, evangélicos, umbandistas, esotéricos e de seguidores de outras crenças inspirou aos empresários Rafael Jorge, 31, e Marcos Rozzato, 34, na criação da franquia Origem da Fé, em março de 2014. Para não misturar crenças, cada loja vai vender um tipo de produto.

Cada loja atenderá um público específico. Por isso, o interessado em abrir uma unidade da rede deve escolher com qual religião vai trabalhar, segundo Rozzato. A primeira loja, inaugurada em Barueri (30 km a oeste de São Paulo), vende apenas artigos esotéricos. A meta da dupla é abrir mais seis estabelecimentos no Estado de São Paulo até o fim do ano.

Todas as lojas vendem CDs e livros. A católica e a evangélica também comercializam bíblias. Na católica, há, ainda, imagens e pingentes de santos. A franquia umbandista comercializa imagens de guerreiros, atabaques, guias, trajes típicos, entre outros produtos. Na esotérica, o consumidor encontra incensos, velas, imagens de bruxas e artigos decorativos.

Rozzato afirma que as imagens representam entre 20% e 25% do faturamento de uma loja e os artigos mais baratos, como incensos e aromatizantes, são responsáveis por 5% da receita. Os preços variam de R$ 1 para um pingente a R$ 360 para um vestido cigano. 

O investimento inicial para abrir uma unidade vai de R$ 77 mil a R$ 97 mil (valor inclui instalação, taxa de franquia e capital de giro). Segundo a empresa, o faturamento médio mensal é de R$ 30 mil, com lucro líquido de 50% sobre o valor (R$ 15 mil). O prazo para retorno do investimento é de 12 meses.

Para o diretor-executivo da ABF (Associação Brasileira de Franchising), Ricardo Camargo, uma margem de lucro líquido de 50% dificilmente será alcançada por uma franquia que atue diretamente com a venda para o consumidor final.

"Por ser uma loja que tem de pagar aluguel, funcionário, estoque e outras contas, uma margem de lucro mais factível seria entre 10% e 15%", afirma Camargo. Por esse cálculo, considerando o faturamento de R$ 30 mil, o lucro do negócio seria de R$ 3.000 a R$ 4.500.

A justificativa de Rozzato para conseguir um faturamento superior é a compra de produtos em escala. "Meu sócio consegue esta margem de lucro nas lojas de outra rede de artigos religiosos que ele tem porque compra produtos em grande quantidade, o que permite uma negociação mais favorável de descontos com os fornecedores."

Rozzato ainda afirma que o público que frequenta lojas religiosas não se importa em pagar um pouco mais por uma peça. "Por serem produtos ligados à fé do consumidor, ele não questiona muito valores. Assim, é possível elevar a margem de lucro sobre as mercadorias."

Franquia estreou no mercado sem loja própria

A Origem da Fé não possui loja própria. Mesmo assim, os empresários afirmam que têm experiência para franquear o negócio. Rozzato é dono de uma franquia no ramo de estética, enquanto Jorge é sócio em outra rede de lojas de artigos religiosos. O nome das empresas não foram revelados.

"Meu sócio conhece o segmento de artigos religiosos e os fornecedores. Eu entendo de franquia. Unimos nossas habilidades para criar outro negócio em um ramo que acreditamos estar em franca expansão no país", diz Rozzato.

Risco do investimento é alto, diz consultora

Para Ana Vecchi, sócia da consultoria Vecchi Ancona, o risco do investimento é maior quando a franquia é nova no mercado e não opera com lojas próprias, caso da Origem da Fé.

"Antes de investir, o empreendedor precisa ser crítico, analisar se o franqueador tem experiência em outras empresas, pedir planilhas de cálculo de faturamento e lucratividade e perguntar com base em que essas contas foram feitas", diz.

Vecchi afirma que o interessado na franquia não pode misturar religião com os negócios. "O franqueado tem de gerir a loja com planejamento e foco no lucro. Não dá para se agarrar à fé esperando que o cliente apareça ou que o fornecedor não cobre a dívida", afirma.

Segmento tem potencial para crescer, diz ABF

De acordo com Ricardo Camargo, da ABF, o segmento de artigos religiosos e esotéricos é novo dentro do franchising. Apesar disso, ele diz que o negócio tem potencial para crescer no país.


"Faz pouco tempo que os empresários enxergaram oportunidades de negócio no segmento religioso. Isso começou com os evangélicos e continuou com os católicos. A vinda do papa ao Brasil no ano passado também ajudou a impulsionar este mercado", declara.




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