quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Obra resgata história do movimento que buscou aproximar a igreja do mundo operário – Por Natasha Pitts

Na quarta-feira, 03 de setembro, durante aula magna no Centro de Extensão da Universidade Católica de Santiago, Chile, o doutor em Teologia Yves Carrier lançou o livro: 

"Teologia prática da libertação no Chile de Salvador Allende”


A obra faz um estudo histórico-pastoral e rememora a iniciativa inaugurada no Chile, no início dos anos 1970, que tinha como foco voltar o olhar da Igreja para o mundo operário. O livro foi escrito, originalmente, em francês e, agora, é lançado em espanhol.

A obra de Carrier analisa as nuances do projeto pastoral experimental, seu início no Chile, a aplicação em vários outros países e seu declínio. 

O teólogo mostra como o Movimento Calama se conecta com importantes acontecimentos, como o Concílio Vaticano II (1962 a 1965); a Teologia da Libertação (1967); com o primeiro livro de Gustavo Gutiérrez; a Conferência de Medellín (1968); os movimentos rebeldes juvenis no Chile; com o governo da Unidade Popular (Salvador Allende 1970 a 1973) e, por fim, com o golpe militar (setembro de 1973).

A obra de Carrier estudou a fundo, especialmente, o início do Movimento Calama, visto que os primeiros anos foram essenciais para sua concretização. 

A narração também rememora a peregrinação da equipe do Movimento por países como Peru, Venezuela e República Dominicana e estuda, particularmente, as mudanças na dinâmica do processo nos países. Contudo, o livro deixa descoberto o fato que, após o golpe militar, o Movimento Calama teve continuidade no Chile até o ano de 1993.

Esse vazio na história do Movimento é parcialmente preenchido com o prefácio do professor de Moral e jesuíta José Aldunate, um dos sacerdotes que deu continuidade à iniciativa pastoral após o golpe de Estado.

Movimento Calama

O autor dessa iniciativa pastoral foi o sacerdote holandês Juan Caminada. O religioso buscava enfrentar o afastamento da Igreja do mundo operário, por isso, seguiu rumo ao Chile para aplicar um projeto-experimento, o chamado "Movimento Calama”, que durou até setembro de 1973, quando explodiu o golpe militar no país.

Com a implantação da ditadura, Caminada e os demais estrangeiros foram expulsos do Chile, tendo restado apenas Mariano Puga, Rafael Maroto, José Correa sj, José Aldunate sj e Santiago Tauler, que se comprometeram a reconstruir o Movimento com a ajuda de religiosas, leigos e casais que se identificavam com a proposta. 

Os integrantes viviam em condição de semiclandestinidade e, ao invés do Movimento Calama, assumiram a sigla EMO, que significava Equipe Missão Obreira.


Era fundamental estar engajado no trabalho operário. Assim, os integrantes se empregaram em áreas como a construção civil e se uniram a instituições e movimentos sociais. A Equipe Missão Obreira atuou até 1993, quando foi extinta.



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