segunda-feira, 9 de março de 2015

O que pode a fotografia revelar sobre “Os caminhos da Fé”? - Por Rosário Silva


Vários fotógrafos, diferentes olhares, diferentes países, mas um só tema: a fé, retratada em imagens para ver em Monsaraz. A exposição coletiva:

 "Os Caminhos da Fé”

Da Associação de Fotógrafos Amadores “Um Quarto Escuro” de Vila Real de Santo António, chegou ao Alentejo, depois de já ter passado por vários pontos da Europa.  

Agostinho Gomes, Carlos Afonso, Fernando Soares, Juan Castellano e Manuel Rosa, que partilham a paixão pela arte de fotografar, apresentam até 26 de abril na Casa Monsaraz, na vila medieval de Monsaraz, a exposição que resulta do conjunto de viagens de cariz religioso. 

São cerca de 30 fotografias tiradas em Israel, Espanha, França e Portugal num primeiro trabalho colectivo que surge após a inauguração da Igreja da Santíssima Trindade. 

“Depois de Fátima, em 2008, fomos a Santiago de Compostela para acompanhar os peregrinos e os seus testemunhos no “El Camino” junto à fachada do Obradoiro”, conta à Renascença, Carlos Afonso, um dos fotógrafos que percorreu os trilhos da fé. 

Outra das etapas decorreu no ano seguinte, que teve como ponto alto a imagem do Santuário de Lourdes coberto de neve e as muitas histórias ali contadas. Nesta viagem pela descoberta dos anseios mais escondidos dos peregrinos, há uma passagem por Israel e o registo da emoção que se vive, mais perto de Portugal, durante a Semana Santa Andaluza, em Espanha. 

“Não somos mais crentes do que os outros, mas temos fotografias muito particulares de locais católicos. Tivemos alguma preocupação com os exageros, foi tudo ponderado, feito com bom senso. Penso que não são imagens ofensivas para nenhuma das religiões”, confessa Carlos Afonso. 

A fé manifesta-se de formas diferentes? 

“Penso que sim” responde-nos o dinamizador da associação “Um quarto escuro”, que deixa dois exemplos geograficamente próximos. “Os portugueses, mais sofridos, carrancudos, acreditam muito que se não conseguirem fazer alguma coisa, algo mais forte que eles, algures num nível superior, esse “ser” vai resolver”. 

No olhar do fotógrafo, as imagens de Fátima relatam isso mesmo. “Nós vamos a Fátima e encontramos a solução quando dedicamos uma vela a algum familiar que está a passar um mau bocado em termos de saúde, mas já não depende de nós. A nossa fé é transportada para uma outra entidade”. 

"A pessoa sente-se pequenina no meio de tanta promessa e oração". “Mas depois”, prossegue Carlos Afonso, “temos aqui ao lado os espanhóis que têm também momentos intensos de fé, mas onde o profano se mistura com festa”. É comum observar que “entre uma e outra oração bebem duas ou três canecas de vinho e dançam umas modas e a seguir fazem uma peregrinação”. “Dois exemplos, paredes meias, com comportamentos de fé diferentes”, relata. 

Quando o fotógrafo se “disfarça” de crente, o que vê? A resposta não é fácil. Conduz a muitas imagens, misturadas entre o que a memória do fotógrafo guardou e o que permite mostrar a memória da máquina que registou momentos, emoções, rostos. 

“Em Fátima parece existir maior seriedade. As pessoas não brincam tanto com a religião. É tudo muito sentido, não há grandes expressões de alegria. Sou 'eu e os meus pensamentos' para tentar curar ou resolver um assunto que me pertence”, refere Carlos Afonso para quem “a pessoa sente-se pequenina no meio de tanta promessa e tanta oração”. 

Em Santiago de Compostela há um sentimento semelhante e uma emoção muito sentida no final de uma jornada dolorosa. “As pessoas atravessam a península para terminar a peregrinação junto do Obradoiro. Nós vimos gente a chorar, gente em festa ao chegar ao destino”, revela o fotógrafo. “É uma proeza física para muitas pessoas”. 

E nesta “peregrinação” fotográfica, o presidente da associação destaca a visita à Terra Santa. “Em Israel é tudo muito diferente”. A igreja do Santo Sepulcro vive uma harmonia religiosa havendo “um constante movimento diário carregada de simbolismo e intensidade”. 

“Cada um dos sítios que visitamos tem as suas particularidades, todas muito diferentes mas todas carregadas de fé”, conclui.







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