quarta-feira, 1 de abril de 2015

Até à 5ª Casa: A pouca fé do fanatismo - Por Sérgio Diamantino


Para quem é fanático, não há nada melhor do que aquilo em que acredita. Aquilo em que acredita é mais forte que tudo. É inabalável. 

Mas a grande questão é que o fanático é exactamente aquele que mais facilmente se deixa abanar quando questionam aquilo em que acredita. Ora o fanático acaba por ser, por defeito, aquele que acaba por ter menos fé.

Isto é válido para a religião, como é válido para o futebol ou para a política, ou para o que for. E acaba por ser interessante que aqueles que abalam a instituição que o fanático defende, atenção, o fanático acha que o que abana é a instituição e não o questionar da sua fé naquela instituição, são apontados como infiéis ou, pior que isso, traidores (como se alguma vez tivessem defendido as cores do que agora estão a criticar).

Religião que é religião não abana com a falta de crença dos outros. Religioso que é religioso acredita que lhe basta praticar o bem enquanto está nesta vida de mortal porque Deus (seja lá Ele de que religião for) tratará de si na eternidade. Tal como tratará também dos prevaricadores.

E mesmo assim, dizem as religiões que, Deus perdoará aquele que, mesmo nos momentos finais, realmente se arrepender dos seus pecados. Ou seja, alguém que foi assassino e ladrão uma vida inteira poderá ter o perdão de Deus se mostrar real arrependimento no final da vida. Fica tudo resolvido.


Ora se há alguém que crê tão fortemente da religião que professa, como é que pode querer e sentir necessidade de fazer "justiça" (nomeadamente pelas próprias mãos), nesta vida, quando a eternidade da justiça está lhe reservada no Além? Para si e restantes fieis, como também para os infiéis. Há qualquer coisa no fanatismo que faz turvar a crença.



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