sexta-feira, 17 de abril de 2015

Editor da Charlie Hebdo lança livro póstumo sobre o Islão – Por Andreia Martins



A obra de Charb, editor da revista satírica Charlie Hebdo, assassinado durante o ataque terrorista de 7 de janeiro, é lançada em França na quinta-feira (16/04). O Islão e as ameaças constantes de que foi alvo são alguns dos assuntos abordados.

Stéphane Charbonnier concluiu o livro sobre islamofobia dois dias antes do ataque à redação do Charlie Hebdo. O antigo editor, mais conhecido por Charb, expressa na sua derradeira publicação a preocupação de que a designada “luta contra a islamofobia” veio substituir o combate ao racismo. 

Uma palavra que originalmente significa “medo do Islão”, e que, segundo o cartoonista, tem vindo a ser usada de forma incorreta e sensacionalista pelos media ocidentais. “Muitos dos que protestam contra a Islamofobia não estão de facto a proteger os muçulmanos enquanto indivíduos, mas sim para proteger a religião de Mohammed”, argumenta Charb. 

“Vou publicar todas as ameaças”

Nas páginas do livro póstumo: “Uma Carta Aberta aos Defraudadores da Islamofobia que brincam entre as Mãos dos Racistas”, Charb defende os critérios de publicação da revista satírica de que era editor, e justifica a publicação regular de caricaturas mordazes para com as crenças das várias religiões. 

A ridicularização do Islão foi a que mais atenção trouxe à publicação semanal, com várias revoltas e protestos do mundo islâmico. As sátiras feitas ao profeta Mohammed valeram várias intimidações, e em última análise, os próprios atentados à redação, onde morreram 11 pessoas: “Um dia, por brincadeira, vou publicar todas as ameaças que recebi na Charlie Hebdo”. 

Corão e Bíblia são “dois romances maus”

“Se estabelecermos que podemos rir de tudo menos do Islão, só porque os muçulmanos são muito mais suscetíveis do que o resto da população, não seria discriminação?”

A crítica direta às religiões e às suas bases não é propriamente uma novidade para quem acompanhava as publicações editoriais de Charb. O cartoonista explica que ter medo do Islão “é absurdo, mas não é ofensivo. O problema não está no Corão, nem na Bíblia, que são apenas dois romances mal escritos, incoerentes e soporíferos. O problema está no crente que os lê como um manual de instruções sobre como montar um móvel do Ikea”. 

Charb argumenta também que o Islão não deveria ser considerada uma “religião menos compatível com o humor” do que todas as outras. O cartoonista refere ironicamente a revista “Inspire”, publicada pela al Qaeda, e que publicou num número de 2013 uma lista de pessoas procuradas “vivas ou mortas” pelos crimes cometidos contra o Islão, onde o seu nome constava “mal escrito”, perto de uma “hábil montagem" onde se pode também ler “uma bala por dia mantém longe o infiel”.






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