terça-feira, 2 de junho de 2015

Igreja Mórmon disponibiliza registos genealógicos até ao século XVI


A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, mais conhecida por Igreja Mórmon, tem em Portugal vinte centros de pesquisa que permitem traçar árvores genealógicas até ao séc. XVI.

Abertos a todos e de acesso gratuito, os centros disponibilizam microfilmes com registos paroquiais de Portugal que permitem recuar cinco séculos e os únicos requisitos para proceder a uma busca são o tempo e a paciência.

Na capital, a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias tem o Centro da História da Família/Biblioteca Genealógica de Lisboa, na Avenida Almirante Gago Coutinho, e um pólo em Benfica. Mas existem outros locais de pesquisa de Norte a Sul do país e nas ilhas.

“Quando o utente da biblioteca a visita pela primeira vez, preenche um Gráfico de Linhagem onde coloca o seu nome, a freguesia, o concelho, o distrito e o país onde nasceu e a data de nascimento, dando as mesmas informações para os pais, avós e bisavós”, explicou Justino Cardoso, director do Centro, adiantando que essas informações servem de ponto de partida para a pesquisa.

Se a memória familiar não for suficiente para obter estes dados, é possível encontrá-los nas conservatórias do registo civil ou nos arquivos distritais, para onde a informação transita cem anos após o nascimento da pessoa e onde os voluntários da Igreja Mórmon fazem as microfilmagens, autorizadas por um acordo celebrado com o Estado, já depois do 25 de Abril de 1974.

“O Centro da História da Família/Biblioteca Genealógica de Lisboa reúne 600 a 700 microfilmes com registos paroquiais, podendo cada microfilme conter vários anos da mesma freguesia ou até de freguesias diferentes”, acrescentou o responsável.

Hiatos devem-se a acontecimentos históricos

Os dados mais antigos remontam ao século XVI, “pois foi por decisão do Concílio de Trento [realizado entre 1545 e 1563] que passou a ser obrigatório o registo de nascimento ou baptismo, de casamento e de óbito de cada pessoa”, explicou Justino Cardoso à Lusa.

Mesmo assim, existem hiatos nos registos portugueses e estrangeiros devido a vários factores, caso de acontecimentos históricos como as Invasões Francesas ou catástrofes naturais como o terramoto que devastou Lisboa em 1755.

No acervo do Centro da História da Família/Biblioteca Genealógica de Lisboa a pesquisa faz-se por freguesia numa sala de leitura com nove monitores onde são visionadas as imagens dos livros de registos paroquiais.

“Há quem venha cá apenas para saber mais sobre a própria família mas também há quem recorra ao serviço porque está a fazer uma tese e precisa de saber quantas pessoas nasceram, morreram e de que causas em determinado período”, indicou o responsável, acrescentando que o espaço é frequentado por “pessoas de todas as idades e todos os níveis, incluindo advogados, médicos e até ministros”.

Falta filmar registos de Lamego e Bragança

A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias ainda não filmou os registos paroquiais que estão na posse da Igreja Católica nas Dioceses de Lamego e Bragança, estando em fase de tratamento alguns registos relativos à parte Norte do Distrito de Lisboa.

Fora estas excepções, “se não há microfilme, é porque não existe registo”, assegurou Justino Cardoso, segundo quem “qualquer pessoa pode frequentar a Biblioteca e ver os microfilmes gratuitamente, tendo apenas que pagar os portes se necessitar de um microfilme que tenha de ser requisitado aos serviços centrais, localizados em Salt Lake City, no estado norte-americano do Utah”, onde está a biblioteca que reúne registos de quase todo o mundo, incluindo Portugal.

Justino Cardoso esclareceu ainda que “qualquer pessoa pode fazer pesquisa na Biblioteca para vender a terceiros, mas a Igreja não tem parte nesses negócios nem lucra nada com isso”.

A Biblioteca Genealógica de Lisboa começou a disponibilizar os microfilmes ao público nos anos oitenta e actualmente existem diversos outros Centros de História da Família no continente, em Alverca, Braga, Beja, Coimbra, Faro, Leiria, Miratejo (Corroios), Oeiras, Ovar, Portimão, Porto (com dois pólos), Póvoa do Varzim, Setúbal, Viseu, e nas ilhas: Funchal, Ponta Delgada ou Angra do Heroísmo.

Pesquisa disponível na Internet

Também é possível proceder a buscas através da Internet, no sítio: www.familysearch.org, onde se lê que a Igreja Mórmon tem mais de 3500 pontos de pesquisa no mundo.

O Centro da História da Família/Biblioteca Genealógica de Lisboa é parte da Biblioteca de História da Família (Family History Library) que, por sua vez, integra a Sociedade Genealógica do Utah, que surgiu em 1894 financiada pela Igreja de Jesus Cristos dos Santos dos Últimos Dias.

A Sociedade começou a microfilmar em 1938 e já percorreu mais de 110 países através de uma rede que inclui centenas de pessoas especializadas em História, estudos das regiões, biblioteconomia, micrografia e vários idiomas. Cerca de 200 câmaras estão actualmente a microfilmar registos em mais de 45 países.

Os microfilmes originais estão depositados nas Montanhas Rochosas do Utah, numa estrutura à prova de sismo e de ataque nuclear que a Igreja designa por Cofre das Montanhas de Granito, já que o depósito guarda as películas sob 200 metros de granito, numa atmosfera com temperatura e humidade controladas.

Mais de 2,4 milhões de rolos de microfilme

A colecção da Sociedade Genealógica do Utah inclui mais de 2,4 milhões de rolos de registos genealógicos microfilmados, 742 mil microfichas, 310 mil livros, fascículos e outros formatos, 4500 periódicos e 700 recursos electrónicos.

A página de Internet alojada em www.familysearch.org informa ainda que a Sociedade Genealógica do Utah disponibiliza um Arquivo Ancestral com mais de 35 milhões de nomes ligados a famílias, um Índice Genealógico Internacional com mais de 125 milhões de nomes e um Arquivo de Recursos de Linhagem, que contém para cima de 80 milhões de nomes, também ligados a famílias.

Em Portugal, além dos Centros da História da Família da Igreja Mórmon, é possível obter informação para construir uma árvore genealógica na Torre do Tombo, na Santa Casa da Misericórdia (devido à roda dos expostos) e nos arquivos militares.

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