sexta-feira, 24 de julho de 2015

Juventude Islâmica da Guiné-Bissau critica "comportamento abusivo" das autoridades


A Juventude Islâmica da Guiné-Bissau denunciou o "comportamento abusivo" de alguns elementos das autoridades públicas do país contra os seus membros e pede a intervenção do Presidente José Mário Vaz para pôr cobro à situação.

Em comunicado, o presidente da Comunidade Nacional da Juventude Islâmica da Guiné-Bissau (CNJI-GB), Carambá Dabó, denuncia "várias situações" envolvendo as autoridades contra os interesses e membros daquele grupo religioso.  Entre outros, citou o caso do alegado encerramento de uma mesquita construída dentro do Hospital Nacional Simão Mendes "a mando das autoridades públicas, sem fundamento"

A mesquita foi mandada construir dentro do hospital para aí serem celebradas orações por defuntos muçulmanos, mas nos últimos tempos tem sido utilizada para rezas quotidianas de dezenas de fiéis, facto criticado por não muçulmanos. 

Carambá Dabó referiu-se ainda a uma alegada "perseguições aos elementos da comunidade de Canchungo", região norte do país, citando o caso de uma mulher que teria sido detida durante algumas horas "sob ordens do administrador" local. A mulher teria sido detida por usar o véu integral na via pública, diz o comunicado, realçando ter sido uma detenção "arbitrária e abusiva". 

Os jovens muçulmanos criticam também o parlamento do país por ter agendado, por duas vezes consecutivas, o tema do uso do véu no país "sem uma prévia auscultação abrangente" dos atores nacionais, lê-se ainda no comunicado.

Pedem às entidades do Estado guineense que respeitem o princípio da laicidade, plasmado na Constituição do país, afastando-se das questões religiosas. Os jovens muçulmanos alegam no comunicado que o Estado admite que outras mulheres guineenses se apresentem na via pública "de roupas curtas que deixam o corpo à mostra e a outras não permite que se tapem de sua livre vontade". 

Apelam ainda ao Presidente do país, José Mário Vaz, para "cumprir com a sua missão de garante da Constituição", ao mesmo tempo que exortam os membros da comunidade islâmica a se absterem de quaisquer atos de violência. Dados do recenseamento da população de 2009 apontam que 45% da população guineense professa a religião islâmica. 





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