sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Teologia do futuro poderá unir religiões?


Embora pareça que as religiões tenham um "ingrediente secreto" que torna as pessoas felizes, as igrejas tradicionais estão perdendo espaço para o misticismo, que rompe com os grilhões das igrejas e das ciências.

"As teologias tradicionais não fornecem mais respostas suficientes para o crescente desafio da diversidade religiosa e dos conflitos que surgem entre as diversas confissões." 

A afirmação é do teólogo Perry Schmidt-Leukel, da Universidade de Munique (Alemanha), que está defendendo uma "teologia do futuro", que una os diversos aspectos da diversidade religiosa.

"Em vez de continuar a construir uma teologia específica para cada religião, devemos optar por uma teologia interreligiosa," defende Schmidt-Leukel.

Teologia ecumênica

Para se tornar a teologia do futuro, essa teologia interreligiosa deverá mostrar que religiões como o Cristianismo, o Islamismo e o Budismo assemelham-se muito mais do que se pensava anteriormente, mas tudo deverá ser feito com respeito à diversidade interna de cada crença.

"A teologia interreligiosa, em contraste com a filosofia intercultural, leva a dimensão confessional da religião a sério," prossegue o estudioso, destacando que as confissões de Maomé como "o Profeta", de Jesus como "o filho de Deus" e de Gautama como "Buda", partilham características básicas a respeito de suas motivações fundamentais.

Segundo ele, mesmo por trás de uma rejeição de outras crenças, muitas vezes há mais coisas em comum do que se espera, por exemplo, em rejeições que o outro realmente não defende da forma como o rejeitador se refere.

"O que distingue as religiões muitas vezes também pode ser encontrado, em forma diferente, como diferenças dentro da própria religião. Em vez de considerar outras religiões como uma ameaça, eles podem enriquecer a própria crença. Essa percepção permite que a teologia ecumênica seja alargada para formar a teologia interreligiosa," diz Schmidt-Leukel.

Teologia interreligiosa

Segundo a proposta, a teologia interreligiosa não se baseia somente nas escrituras sagradas de uma religião específica, mas também nas escrituras sagradas das outras: "Isso proporciona grandes oportunidades para lidar com a crescente diversidade religiosa em nossa sociedade."

Para Schmidt-Leukel, mais cedo ou mais tarde, as teologias tradicionais de todas as religiões irão se desenvolver rumo à teologia interreligiosa. Esta forma de buscar teologia e refletir sobre as crenças coloca as diferentes perspectivas religiosas e confessionais em uma troca permanente.

"A teologia interreligiosa tem como objetivo compreender as razões e os motivos de diferentes afirmações religiosas e, na medida do possível, de compartilhá-las," finaliza Schmidt-Leukel.






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