terça-feira, 22 de dezembro de 2015

A história da Salvação na perspectiva da Teologia de Karl Rahner – Por José Ivan Lopes



Uma nova forma de se entender a história da salvação encontra ressonância no pensamento do teólogo Karl Ranher. 

Ela passa a ser vista como “coexistente” a toda história da humanidade. Todavia, não há duas histórias: uma salvífica e a outra profana, que adotam caminhos opostos e sem nenhum tipo de relação ou nexo. 

A questão específica de uma teologia das religiões não é se a salvação é possível para os infiéis ou mesmo para os não-cristãos. Ora, este é um problema que sempre acompanhou a reflexão teológica e ao qual a teologia comumente respondeu em sentido afirmativo, sustentando, de um lado, a necessidade de se pertencer à Igreja para se conseguir a salvação; mas, de outro lado, admitindo, por força da vontade salvífica universal, a possibilidade de um votumfidei, ou votumecclesiae, ou ainda votumveritatis, cada vez mais dilatado e interpretado, que representava, se não um caminho, pelo menos uma passagem para a salvação para os não-cristãos.

O axioma “fora da Igreja não há salvação” servia de contrapeso ao axioma teológico que aquele que faz tudo aquilo que está em seu poder, Deus não nega a graça. Rahner lembra que essa questão se refere a uma elaboração teológica quase que em termos mitológicos, uma vez que defende a tese de que a graça ocorre somente no momento em que a pregação do Evangelho atinge o ouvinte.

O tema próprio de uma teologia das religiões não é, pois, a possibilidade da salvação para cada pessoa que, embora não professando a fé cristã, vive uma vida honesta e moral, e sim o significado humano e o valor salvífico das religiões enquanto tal.

A compreensão do pensamento teológico de Rahner passa obrigatoriamente pela leitura dos escritos do eminente teólogo Heinz Robert Schlette, considerado o precursor de uma das primeiras tentativas de sistematizar e apresentar o problema da teologia das religiões, presente em sua obra: As religiões como tema da teologia (1963), reconhecendo que “aqui nos encontramos diante de um terreno dogmaticamente nove, comparável às zonas em branco dos antigos atlas”. 
Religiões cria o seu estatuto em meados dos anos 60, com a colaboração, sobretudo, dos teólogos Karl Rahner e Heinz Robert Schlette. Destacamos evidentemente a contribuição do primeiro teólogo em questão.

Em uma conferência, na Baviera, em 1961, tratando do tema: Cristianismo e religiões não-cristãs, que foi publicada no volume V dos Escritos teológicos (1962), Hahner formulou a tese dos “cristãos anônimos”.

Naquela ocasião, ele afirmou que a vontade salvífica universal de Deus em Cristo oferece a salvação a todos os seres humanos. Para tanto, defende a teoria de que a graça pode alcançar os seres humanos, não obstante em casos em de estarem distantes da Igreja cristã, e os alcança na concretude de sua vida humana e religiosa, e, portanto, não importa as religiões, mas a graça ocorre por meio das religiões. Em outras palavras, as religiões não-cristãs inserem-se na “Providência salvífica de Deus”.





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