sábado, 2 de novembro de 2013

Budistas celebram a morte como renascimento – Por Mariana Noronha

Diferente de algumas religiões, como o cristianismo que acredita que a morte é o fim de tudo, no budismo do Buda original Nitiren Daishonin a morte não existe, é apenas o renascimento. 

No Dia de Finados os membros da crença realizam uma cerimônia de falecimento, onde mentalizam boas energias para amenizar os carmas da próxima existência de quem já se foi.

No evento, primeiramente é realizado a leitura do Sutra de Lotus, o Gongyo, depois recitam o mantra “Nam-myoho-rengue-kyo”, um tipo de concentração para ficar em conexão com o universo. E enquanto isso, cada membro realiza uma oferenda.

De acordo com Idaleti Goularte, membro do grupo de budismo de Criciúma, todos os dias os budistas realizam orações e oferecimentos aos entes que já faleceram. 

“No dia de finados realizamos uma cerimônia milenar, em que as orações são mais voltadas aos falecidos. Nós fazemos a queima de incensos, para simbolizar, e enquanto recitamos o nosso mantra, cada membro pega um pouco das cinzas e mentaliza o falecido oferecendo energias boas”, explica.

Segundo a budista Fernanda Mascarello, a morte para eles é uma página de um livro sem fim. “Muitas religiões acreditam que a morte é um livro e quando ele é lido é fechado e pronto. Já para o budismo é como se cada existência fosse apenas uma página de um ciclo. Sendo a morte um período de sono profundo, por isso nesta condição, estamos em um estado de não substancialidade. Já na vida nós podemos e assim podemos orar para amenizar os carmas ruins tanto de quem está vivo, como de quem está “morto””, conclui.

Flores e velas também são oferendas

Mesmo sendo de uma religião diferente, o significado das oferendas tradicionais como os crisântemos e luz das velas, que simbolizam força e luz, ou outros objetos simbólicos, também são credos dos budistas.

Conforme Jocemara Bitencout, membro da religião, quando o Buda original Nitiren Daishonin foi exilado, mesmo vivo, seus seguidores também lhe faziam oferecimentos. E assim a prática se estendeu aos mortos. 

“Não deixa de ser uma oferenda de energias boas. Os budistas têm a opção de escolher se querem ser enterrados ou cremados quando mortos e mesmo aqueles que são enterrados nós realizamos oferendas. Mas não quer dizer que tenhamos que fazer isso somente no dia de finados”, explica.

Em Criciúma os membros da religião se reúnem em uma sede, localizada no Bairro São Luiz, onde realizam semanalmente reuniões e cerimônias.





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