sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Liga Árabe e Jordânia reagem à violência israelense em Jerusalém

A Liga Árabe celebrou uma sessão extraordinária nesta quarta-feira (26) para discutir a possibilidade de apresentar uma demanda contra Israel diante do Conselho de Segurança das Nações Unidas (CSNU), pelos últimos ataques das tropas israelenses no recinto em que fica a Mesquita Al-Aqsa, em Jerusalém. 

Na quinta-feira (27/02), a Jordânia advertiu que pode rever o tratado de paz com Israel e expulsou o embaixador israelense.


A Liga Árabe tem advertido Israel e feito apelos pela coordenação de ações que visam a proteger os aspectos árabes e muçulmanos de Jerusalém, com enfoque especial para a Mesquita Al-Aqsa e para a Cúpula da Rocha, cenário frequente de confrontos e alvo de ameaças de grupos judeus extremistas.

O recinto sagrado para o Islã, Haram al-Sharif, fica no local chamado pelos judeus de Monte do Templo, onde teria sido destruído o Templo judaico que alguns grupos têm buscado reconstruir, sugerindo inclusive a eliminação da mesquita Al-Aqsa, o terceiro local mais importante para os muçulmanos.

A disputa sobre o local é usada pelas autoridades israelenses na construção de uma narrativa religiosa para um conflito inerentemente político e de disputa territorial, entretanto. Neste sentido, líderes religiosos e políticos entre os israelenses ganham espaço no discurso contra os palestinos, reivindicando a reconstrução do Templo, ainda que signifique a destruição da mesquita.

Episódios de violência entre israelenses, soldados e os palestinos no recinto Haram al-Sharif, onde fica Al-Aqsa, são recorrentes, assim como nos territórios palestinos da Cisjordânia e Jerusalém Oriental, que têm provocado a reação contrária à ocupação israelense.

Os Estados membros da Liga Árabe reuniram-se nesta quarta-feira (26/02) em sua sede, na capital egípcia, Cairo, para abordar o plano de denúncia contra Israel ao CSNU, após uma petição dos palestinos, pelas violações israelenses à mesquita.

Os países árabes também instaram a Organização de Cooperação Islâmica (OCI) a mobilizar a opinião pública e alertar sobre as ameaças ao complexo de Al-Aqsa. 

Após denunciar as “contínuas violações” contra a mesquita, com incursões de israelenses protegidos pelos soldados, o que frequentemente resulta em confrontos, a Liga Árabe também pediu à União Europeia, à Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) e às potências mundiais que ajudem na proteção dos locais sagrados muçulmanos e cristãos das ameaças do regime israelense.

Jordânia adverte sobre acordo de paz


Na quarta-feira, o episódio de invasão se repetiu, um dia depois de as tropas israelenses terem ferido 20 pessoas no mesmo local. O recinto de Al-Aqsa encontra-se sobre o controle da Jordânia, segundo o acordo de paz entre o país árabe e Israel, de 1994.

Segundo o tratado, a Jordânia administra os locais sagrados islâmicos e cristão em Jerusalém (Al-Quds, em árabe), ocupada pelo regime israelense após a Guerra dos Seis Dias, em 1967.

Apesar disso, o parlamento jordaniano votou a favor da expulsão do embaixador israelense no país, depois da discussão, no parlamento de Israel, sobre a extensão da jurisdição israelense na cidade para incluir o recinto de Al-Aqsa.

“Se Israel quer violar o tratado de paz nesta questão, o tratado inteiro, seus artigos, detalhes e linguagem serão postos sobre a mesa,” disse o primeiro-ministro jordaniano Abdullah Nsur, citado pela agência nacional de notícias Petra.

A proposta discutida pelos parlamentares israelenses causou também a reação da OCI, que a classificou de uma provocação contra toda a Umma (comunidade) Islâmica. Além disso, enfatizou a organização, trata-se de uma violação das resoluções da ONU e das convenções internacionais.

A discussão foi iniciada pelo parlamentar de extrema-direita Moshe Feiglin, do partido do premiê Benjamin Netanyahu, o Likud, de acordo com o jornal israelense Ha’aretz, O parlamentar tem empreendido uma “batalha feroz” para aumentar o acesso dos judeus ao local sagrado, atualmente proibido, enquanto outros grupos advogam pela sua destruição em prol da reconstrução do templo.




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