quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Mística de abertura do 6º Congresso Nacional do MST retrata formação política do movimento - Por Conceição Oliveira

Mil e quinhentos trabalhadores fazem coreografia em Brasília.

Na última segunda-feira (10/02), o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) iniciou seu 6º Congresso Nacional com o tema: 

"Lutar e Construir Reforma Agrária Popular"

Em comemoração aos 30 anos de luta do movimento. Quinze mil pessoas se reúnem desde a manhã até a noite realizando inúmeras atividades, e um mar de barracas, que lembram as ocupações dos latifúndios improdutivos no Brasil, ocupam o entorno do Ginásio Nilson Nelson, em Brasília.

Todos os participantes trabalham para o funcionamento deste mega congresso: jovens se dividem em Comissão de Audiovisual, Imprensa, fazem a segurança. Mulheres e homens cozinham para este batalhão de pessoas. Uma enfermaria atende crianças e qualquer participante que precise de ajuda.

Terminadas as plenárias, uma impressionante quantidade de jovens ensaiam as místicas que serão apresentadas no dia seguinte.

Abertura

O MST luta e festeja coletivamente os 30 anos de sua bonita e significativa trajetória e, assim, nada na cerimônia de abertura foi gratuito. Cada gesto, cada adereço tinha uma intencionalidade para informar o que é o MST. 

O grande painel que decora o Ginásio Nilson Nelson, por exemplo, pintado pela juventude do MST, representa a diversidade etnicorracial da luta camponesa, faz a crítica ao agronegócio, à contaminação da terra pelos agrotóxicos e defende a agroecologia.

Delegados de 23 estados brasileiros e 200 convidados internacionais, com forte presença de delegações da América latina, puderam ver na abertura do Congresso 1500 militantes do MST teatralizando, nas famosas místicas do movimento, a História do MST. A cada representação os atores militantes, com graça, força e leveza, ensinaram e reafirmaram os princípios que regem a luta pela terra.

Um grande livro, cujas páginas, para serem viradas, precisavam do esforço coletivo, servia para marcar cada um dos cinco atos da mística que sintetizaram de maneira didática a história do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra.

E que luta é essa? Ela é forjada por homens e mulheres em busca de terra para sobreviver. A coreografia, formada por corpos deitados ao chão, desenhava o símbolo feminino e masculino. Ela é forjada por negros, brancos, indígenas e o MST reafirma esta solidariedade em seus documentos, suas plenárias e suas místicas: somos solidários aos quilombolas, aos povos indígenas, à classe trabalhadora urbana.

Homens e mulheres na luta pela terra: indígenas, quilombolas, mostram que a diversidade brasileira também está presente na formação do movimento do MST. Homens e mulheres que tiram da terra o seu sustento e para o qual a posse da terra é a garantia da sobrevivência de suas culturas.

No teatro popular do MST  nem a forte influência da Igreja deixou de ser mencionada. Na bela, graciosa e colorida dança a teatralização dos princípios que regem o MST: a unidade, o trabalho coletivo, solidariedade, direção compartilhada e com equidade entre homens e mulheres.

“Ocupar, resistir e produzir”. Sob este lema nasce o MST e sua principal estratégia de luta pela reforma agrária: a ocupação de latifúndios improdutivos.

Na luta pela terra desde o seu nascimento os sem terra enfrentam jagunços e ocupam o latifúndio improdutivo. O MST também homenageia seus mortos que tombaram na luta.

O MST para se tornar realidade também teve de resistir à repressão do Estado com o monopólio da força policial que protege mais a propriedade que a vida, a solidariedade internacional campesina na luta pela reforma agrária 

A celebração da nova sociedade forjada na luta pela reforma agrária com justiça social:Resultado da luta, nos assentamentos o fruto do trabalho coletivo: alimentos saudáveis para alimentar o povo.

A reafirmação dos princípios do MST


O MST e sua pedagogia da educação popular, a imensa quantidade de jovens participando de todas as atividades, os formadores das escolas do campo, homens e mulheres também educadores e o trabalho coletivo da mais simples a mais complexa ação tem muito a ensinar ao Brasil, aos movimentos sociais, à organização da classe trabalhadora.





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