sábado, 29 de março de 2014

Cidade feita de barro no Irã abriga mesquita mais antiga do país – Por Marcos UchôaIrã

Em Yazd, as construções feitas de terra e lama resistem a séculos. Mesquita considerada a primeira do país tem aproximadamente 1300 anos.

Em Yazd, no Irã, as construções feitas de terra e lama resistem a séculos dos ataques de humanos e da natureza. Uma mesquita, considerada a primeira do país, tem aproximadamente 1300 anos.

Tem certas fortalezas que impressionam. Afinal são séculos e séculos resistindo aos ataques de humanos e da natureza e no fim das contas você olha e tudo e feito de terra, de lama, de pó, primeiro material que o homem moldou e pode usar para construir algo para se proteger.

No Irã, que tem algumas das cidades mais antigas do mundo, algumas das construções sobrevivem. Uma mesquita, considerada a primeira do país, tem aproximadamente 1300 anos.

Ela está danificada porque foi feita no local que antes era o templo do zoroastrismo. Zoroastro vem de zaratustra, que foi quem criou a religião de milhares de anos e que até a chegada dos árabes, era a mais praticada na Pérsia, hoje chamada de Irã.

Zaratustra dizia que se deveria rezar em direção à luz, e como o fogo era a única fonte de luz que o ser humano controlava, cada templo mantinha e mantém uma espécie de fogo eterno. É uma religião que tem na sua essência a proposta: boas palavras, bons pensamentos, boas ações.

O zoroastrismo é conhecido também como mazdaísmo ou magismo por conta do deus deles, Ahura Mazda. Os três reis magos que visitam Jesus logo depois do nascimento dele, são reis do zoroastrismo.

O uso de árvore de Natal com presentes e velas originalmente também vem da religião. Yazd é o centro da região grudada no deserto. Marco Polo passou pelo local no século 13 a caminho da China e a descreveu como um centro de comércio.

Muito original são as torres chamadas de badgir, que captavam qualquer brisa quente e resfriava, uma espécie de ar condicionado natural.

Na periferia da cidade encontramos, numa fábrica de tijolos, trabalhadores afegãos. Eles são os pobres do Irã, fazem os trabalhos mais difíceis e mal pagos. Na beira do deserto, no frio do inverno e na fornalha do verão, é uma vida dura para produzir algo que tecnologicamente ainda é o mesmo produto há séculos.

Mas logo perto vemos o progresso, uma fábrica de azulejos. No local trabalham principalmente mulheres, que têm mais paciência, capricho e que recebem salários menores ainda que os afegãos. Medir, desenhar, pintar, cada azulejo é feito a mão.

Na cidade se encontra o resultado de uma passagem da sem graça cor do barro para a explosão de cores que se pode ver de uma mesquita. Imaginem o que não foi na região a construção de algo tão vivo. O prazer que não passou a ser vir rezar no local. Embora uma das imagens mais comuns tenha no Ocidente uma lembrança bem negativa.

Embora a suástica tenha sido um símbolo mais conhecido por ter sido usado e abusado pelos nazistas, ela é um símbolo muito antigo, de milhares de anos. As quatro pontas representam o infinito, a passagem do tempo, o nascimento e a morte.

Em Yazd e no Irã se esbarra o tempo todo nessa noção da passagem do tempo, se vê como coisas atuais tem uma história tão antiga. A única coisa que não muda é a velha simpatia.





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