segunda-feira, 7 de julho de 2014

Muitos pacientes se encontram na fé - Por Daniela Penha

A espiritualidade em diferentes formas faz com que dependentes consigam se manter firmes na busca por recuperação.

Na comunidade terapêutica Olaria de Deus“a palavra do Senhor” é bem-vinda. Televisão e rádio só podem ser ligados para a transmissão de programas evangélicos e todos os dias são realizados quatro cultos.

“A gente está de braços abertos para qualquer religião”, diz o coordenador Reginaldo Chagas. “Mas é necessário que todos participem. A internação é voluntária, se o paciente não quiser participar, ele pode ir embora.” 

A base do tratamento de 27 dependentes químicos internados no local é a fé evangélica. “Se tiver demônio, é expulso. As pessoas chegam da rua sujas, atormentadas. Isso não é de Deus”, diz Reginaldo. 

Nem mesmo café é permitido. “O café lembra o cigarro”, explica o paciente Breno Marques Miranda, 20 anos, que está em tratamento há seis meses.

Religião

Nas outras duas comunidades visitadas, a fé não é a metodologia principal, mas a espiritualidade está presente. Na Amostra, há internos evangélicos, católicos, espiritas. Todos cantam juntos musicas religiosas e fazem a leitura da Bíblia, ainda que não seja uma imposição.

“A gente deixa livre, mas eles têm muita fé”, diz o psicólogo Fabiano Duarte, fundador da Amostra. 

Diego Donizete Simões chegou à comunidade com o amparo de um frei. De família católica, ele nunca deixou de ir à missa, ainda que antes usasse uma carreira de cocaína. “Eu ia só por ir”, conta. Está internado há cinco meses e, todos os dias, ora ao acordar e antes de dormir. “Tive um despertar. Deus restaurou minha vida”.

A Rarev começou como uma comunidade católica, mas transformou-se em um local “de todas as fés”. As raízes, porém, continuam aparentes. Logo na entrada da fazenda, imagens de Deus e uma gruta com Nossa Senhora. A história encanta.

“Foi um paciente que construiu em 2001, mas não aguentou. Morreu pelo álcool”, conta o coordenador Luiz Guimarães Júnior. Todos os dias, os pacientes oram, cada um da sua forma. “A fé dá força para a gente continuar”, diz.

Lei determina o respeito a todas as religiões

Para o vice-presidente do Comad (Conselho Municipal de Álcool e Drogas), Luiz Damasceno, a fé é fundamental na recuperação do dependente químico. “A dependência é problema físico, psicológico e espiritual.” Ele diz que 90% das comunidades da região trabalham a espiritualidade como base da recuperação.


Resolução da Anvisa sobre as comunidades terapêuticas determina “o respeito ao credo religioso”. A fiscalização, no entanto, é falha e as comunidades se amparam no livre-arbítrio das internações voluntárias.



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