sexta-feira, 8 de agosto de 2014

China liberta advogado defensor da liberdade religiosa

A China libertou, nesta quinta-feira, um importante advogado dos direitos humanos, que ficou preso por três anos. 

Gao Zhisheng esteve preso desde dezembro de 2011, em uma prisão isolada no oeste da região de Xinjiang. Ele foi acusado de promover subversão ao poder estatal, de acordo com a agência de noticias oficial chinesa, Xinhua. 

De acordo com o irmão do ativista, que falou à agência internacional de notícias Reuters, essa libertação significa o fim de um longo período de detenção, que à época recebeu forte condenação internacional. 

O irmão Gao Zhiyi disse por telefone que não poderia dar muitas informações, que apenas poderia confirmar a libertação de Gao e que agora ele se encontra na casa de um familiar.

Gao Zhisheng, advogado de Beijing, tem 50 anos e tem sido preso e libertado por diversas vezes desde 2006. Ele disse, em entrevistas, que algumas vezes chegou a ser torturado. O governo chinês não fez comentários específicos sobre o caso de Gao, mas informou que tortura para extrair confissões é ilegal. 

Gao atraiu atenção internacional para sua campanha por liberdade religiosa, particularmente para membros da Falun Gong, uma religião banida no país. Gao também foi defensor de cristãos clandestinos e moradores envolvidos em disputas de propriedade com funcionários do governo.

Durante o período em que esteve preso, ele foi abandonado pela família, informou Maya Wang, da Human Rights Wathc.

“A família dele só foi visitá-lo duas vezes nos últimos três anos e todas as vezes que o encontravam só tinham permissão de contar notícias de casa, nunca perguntar sobre a saúde e condições dele na prisão”, contou Maya, que se diz preocupada que o advogado possa ter sido libertado, mas ainda sofra perseguições em sua casa, como tem acontecido em outros casos.

O governo do presidente Xi Jinping tem reprimido dissidentes, prendido ativistas, calado blogueiros e aumentado as restrições aos jornalistas, em atos que grupos dos direitos humanos têm definido como a "pior supressão da liberdade de expressão nos últimos anos".


Em junho, o país também prendeu outro importante advogado, Pu Zhiqiang, o que espalhou revolta entre esses grupos, tanto da China como do Ocidente. 

Muitos advogados e jornalistas foram detidos nos preparativos para a comemoração do aniversário dos protestos pró-democráticos e sangrentos que ocorreram na Praça Tiananmen, em 1989.



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