terça-feira, 30 de setembro de 2014

Banco: como fazíamos sem... – Por Lívia Lombardo

Os sacerdotes da Antiguidade tinham uma missão um tanto mais, digamos, mundana do que se dedicar ao culto de deuses: guardar em seus templos a riqueza dos fiéis, como jóias, metais preciosos e até cereais. 

Os sacerdotes não cobravam nada por isso, mas podiam emprestar esses bens a quem precisasse, aí, sim, em troca de algum pagamento.

O templo mais antigo de que se tem notícia usado para este fim funcionava na Mesopotâmia (atual Iraque) e tem mais de 5 mil anos. O hábito de guardar o ouro com os sacerdotes se expandiu pelo mundo antigo, principalmente entre os egípcios e os babilônios e, mais tarde, entre os gregos e romanos, a Igreja Católica chegou a criar, no começo do século 17, o Banco do Espírito Santo, para facilitar o pagamento de dízimos e indulgências.

Durante a Baixa Idade Média, a atividade bancária foi aperfeiçoada nas cidades-estados da Itália, que tinham intensa atividade comercial. Os responsáveis foram os ourives, artesãos que trabalhavam com ouro, prata e metais preciosos. Eles já tinham em suas casas guardas e cofres para impedir que suas matérias-primas fossem roubadas. Assim, passaram a guardar o ouro da população, obviamente, ganhando uma taxa.

Como garantia, os depositantes recebiam um documento no qual o ourives declarava o peso de ouro de cada um. E, quando precisava de seu ouro, o sujeito emitia uma ordem de pagamento ao ourives. Como falcatrua sempre existiu, começaram a falsificar as assinaturas dos documentos de crédito. Para evitar o problema, o ourives passou a dar aos depositantes tantos papéis quantas fossem as moedas que ele guardasse.


Quem recebia os papéis também achava mais seguro usá-los para fazer pagamentos. Conforme a prática se espalhou, os ourives ficaram com a guarda de todo o ouro da cidade. 

Os mais espertinhos passaram a emprestar esse ouro a juros, que chegavam a 200% ao ano. O crescimento do negócio foi tamanho que os ourives não tinham mais tempo de exercer seus ofícios, passando a se dedicar exclusivamente a essa atividade financeira. 

Em tempo: como eles exerciam sua nova profissão sentados nos bancos de madeira dos mercados, passaram a ser chamados de banqueiros.





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