terça-feira, 30 de setembro de 2014

Marina Silva tem apoio de evangélicos; Dilma Rousseff tem apoio de evangélicos. Com quem estão os evangélicos? - Por Magali Cunha

Uma reunião que não constava na agenda da candidata à Presidência da República Marina Silva (PSB) aconteceu em 26 de setembro: um encontro com lideranças evangélicas. 

Foi o primeiro evento de campanha com lideranças evangélicas desde que assumiu a cabeça de chapa. Cerca de 200 pessoas aguardaram a candidata, que chegou pouco mais de uma hora atrasada. O apóstolo César Augusto, da Igreja Fonte da Vida, fez a abertura oficial. 

"Não temos pretensão de ter candidato evangélico, mas Marina Silva é evangélica, então eu, com muita alegria, representando esses 2 milhões de membros que nós temos, estou aqui para reafirmar que a Igreja Fonte da Vida é Marina Silva", disse César Augusto. 

O apóstolo disse ainda que "a fonte de vida é Marina Silva" e ressaltou seu papel como lutadora, vinda do Acre. Falou que Marina terá capacidade de governar com o Congresso Nacional e depois fez uma breve oração.

A apóstola Valnice Milhomens, da Igreja Nacional do Senhor Jesus Cristo e ligada à Rede Sustentabilidade, projeto de partido de Marina, e conselheira da candidata, disse que o evento não era para fazer críticas ou demandas, mas para apoiá-la. 

Segundo o coordenador de mobilização da campanha, que também é evangélico, Pedro Ivo, o encontro não foi divulgado pois foi marcado em cima da hora. 

"Alguns líderes convocaram essa reunião de ontem para hoje", afirmou. Estiveram presentes representantes de igrejas evangélicas de diversas orientações, de históricos a neopentecostais. Lideranças presentes consultadas pela reportagem de O Estado de São Paulo disseram que não pedir votos em suas igrejas, mas orientarem os fiéis a escolherem candidatos que defendam valores cristãos, como ética e família. 

O pastor Lelis Washinton Marinhos, da comissão política da Congregação Geral das Assembleias de Deus no Brasil (CGADB), igreja da qual Marina é membro, também participou do evento. A CGADB pode optar por um apoio formal a alguma candidatura, em 2010, apoiou José Serra, do PSDB.

Desde que Marina assumiu a candidatura, a CGADB tenta uma aproximação com a candidata, já inclinada a apoiá-la. Marinhos declarou ao Broadcast Político: 

"A partir desse encontro abre-se uma porta importante" e informou que deve haver uma reunião com o comitê político nos próximos dias para definir se a congregação pode formalizar um apoio antes do primeiro turno ou se esperará o resultado das urnas em 5 de outubro.

"Nos mobilizamos não apenas para dar apoio e suporte a uma candidatura que nos representa, que carrega consigo muito do ideário cristão, mas também nos aproximamos para atestar nosso compromisso em defesa àquilo que é maior do que qualquer projeto político, a saber, o Evangelho do nosso senhor Jesus Cristo e a sua Igreja", disse Ed René Kivitz, da Igreja Batista da Água Branca. 

Kivitz defendeu a identidade evangélica, para ele hoje quase um "xingamento". "Não aceitamos a ideia de que ser evangélico é ser ignorante, moralista, intransigente, homofóbico, sectário e intolerante." 

Ele disse que Marina não é discípula de Maquiavel, para quem os fins justificam os meios, mas que vota nela por suas propostas. 

"Votamos em Marina não porque é nossa irmã de fé, mas porque a julgamos preparada para o cargo que postula. Votamos em Marina não porque irmão vota em irmão, não estamos elegendo uma autoridade eclesiástica, estamos elegendo a presidente da República", concluiu.


Renê Terra Nova, do Ministério Internacional da Renovação (MIR) de Manaus, que discursou após Marina seguiu a mesma linha. Ele disse que Marina é a resposta da "nova geração para assumir o reino". 

"Todos que estão aqui estão convictos de que precisamos agir com a nossa fé de maneira muito inteligente e precisamos nos expor, porque quem não se expõe não conquista", disse Terra Nova. 

E também apontou que o voto não é para uma pastora: "Nós não estamos elegendo uma pastora para o púlpito, mas uma presidente para o Planalto, de uma forma democrática, de uma forma inteligente".




Nenhum comentário: