sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Organização de evangélicos Rede Fale relança campanha contra o "voto de cajado" – Por Magali do Nascimento Cunha

Contrária ao mercado do voto religioso, a Rede Fale, uma organização não governamental que congrega evangélicos de diferentes igrejas, lançou na quarta-feira (10/09) uma campanha contra essa prática, muito comum em tempos de campanha. 

E não é para menos. Os evangélicos hoje, segundo o mais recente censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estática (IBGE), representam 22% da população brasileira, ou 42,2 milhões de pessoas, um contingente expressivo que pode decidir uma eleição. 

Além disso, na atual disputa presidencial, dois dos 11 candidatos a presidente, Marina Silva (PSB) e Pastor Everaldo (PSC), são evangélicos.

Batizada de “Diga não ao voto de cajado”, referência ao instrumento usado pelos pastores para tocar animais, o objetivo da campanha é qualificar a participação evangélica nas eleições, estimulando a discussão de temas relacionados ao pleito, e combater o uso da religião como instrumento para obtenção de votos, afirma a secretária-executiva da Rede Fale, Morgana Boostel, 27 anos, psicóloga e fiel da Igreja Batista. “Nosso foco é trabalhar para combater a estratégia de angariação de votos dos membros da igreja como curral eleitoral”. 

Segundo ela, a Rede Fale defende o direito a manifestação de fé, garantido pela Constituição, mas também que o espaço religioso não seja usado como trampolim eleitoral. 

Morgana lembra que essa prática, além de não ser um exemplo da “melhor tradição cristã de participação política”, também é vedada pela legislação eleitoral. Pastores, bispos e também padres são proibidos de fazer propaganda eleitoral em igrejas e templos. Também não é permitida a fixação ou distribuição de material de campanha dentro desses ambientes.

Na avaliação da Rede Fale, um dos perigos para o cristão que deseja atuar politicamente é achar que, por ser “crente”, está abençoado para a política. 

“Essa é a concepção que leva milhões de brasileiros a votar no ‘pastor’ ou no ‘irmão’ abençoado pelo pastor. Como consequência, muitos parlamentares são eleitos sem compromisso com a justiça ou a democracia, e sem coerência partidária, programática ou ideológica, e se tornam ‘despachantes de igrejas’, gente que vota sempre para a expansão do poder de suas igrejas, associações, rádios e empresas”, afirma um dos trechos do manifesto divulgado ontem pela organização.


Para Morgana, isso acontece principalmente nas eleições para os cargos proporcionais (deputado e vereador), mas não tem muito apelo nas disputas presidenciais. Além disso, de acordo com ela, há um mito de que o eleitorado evangélico vota do mesmo jeito e sempre de acordo com as lideranças religiosas. 

“Isso é bobagem. Tem cristão mais progressista, tem uns mais conservadores, não é uma massa que pensa igual, a reboque dos pastores”, garante. 

De acordo com Morgana, a campanha contra o voto de cajado está sendo feita nas redes sociais e todo o material de divulgação pode ser acessado na página da entidade, que pretende até o dia das eleições realizar atos em todos os estados.






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