terça-feira, 2 de setembro de 2014

‘Religiões devem romper com a dominação mental de seus povos’ - Por Carlos Cardoso Aveline

O escritor, jornalista e editor do site Filosofia Esotérica, Carlos Cardoso Aveline, fala sobre Israel, palco atual de conflitos que têm colocado o mundo em alerta e, ao mesmo tempo, horrorizado. O jornalista fala ainda sobre a força do islamismo.

Sob a ótica da filosofia esotérica, como você define o Oriente Médio? Ele inclui Irã, Iraque, Síria, Turquia e outros países e constitui um laboratório humano que funciona em altas temperaturas cármicas. Nele, o chumbo da ignorância política e religiosa lentamente se transforma no ouro da sabedoria eterna e da fraternidade universal. 

O território de Israel é um centro magnético de importância decisiva para a etapa atual do carma humano. É o berço dos três monoteísmos básicos da nossa civilização. No seu solo e na alma dos seus habitantes está registrada uma memória de sabedoria e ignorância que vem desde a remota antiguidade. 

Cidade sagrada para várias religiões, Jerusalém tem sido motivo constante de guerra e de discórdia, e serve como desculpa para crueldades de que animal nenhum seria capaz. Israel, como país, é uma grande cooperativa democrática e parlamentarista, um local utópico que reflete em si o caos criativo e as contradições existentes na alma humana.

Como o senhor vê o papel das religiões? É cada vez mais necessário compreender aquilo em que se acredita. Busca-se uma coerência entre palavras e atos. O islã, o cristianismo e o judaísmo, três religiões que sofrem sob o dogma da ilusão monoteísta, necessitam reencontrar a fonte comum da sabedoria universal que ilumina todas as filosofias e religiões. As religiões devem libertar-se das suas superstições e romper com a dominação mental de seus povos por burocracias sacerdotais que, em mais de um caso, incitam à violência. 

Abandonando a ilusão de um deus único e a fantasia de que só existe uma única tradição religiosa autêntica, o judaísmo, o islamismo e o cristianismo poderão cumprir papéis positivos no longo processo de construção de uma civilização global solidária, inter-religiosa, universalista, eticamente correta e ecologicamente sustentável.  

Dentro de uma perspectiva histórica, como se situa o judaísmo hoje? É a mais antiga das três religiões monoteístas. É também, de longe, a religião mais injustamente perseguida dos últimos 2.000 anos. Talvez nenhum povo tenha sido tão odiado, durante tanto tempo e de modo tão violento, quanto o povo judaico. Mas os seres humanos ficam fortalecidos moralmente quando resistem à perseguição injusta. 

O judaísmo está hoje mais vivo que nunca, dos pontos de vista ético, filosófico e humano. Ainda é uma religião imperfeita, marcada pela luta entre o dogmatismo e a criatividade. Tem muito por aprender. Mesmo assim, floresce na aprendizagem ética. As organizações terroristas que se consideram islâmicas e desprezam a vida em nome de Alá deveriam mudar de ponto de vista e ver o islamismo como uma religião de paz.

Como fica essa relação tensa entre judeus e muçulmanos? Eles não são necessariamente adversários. Pertencem na verdade a duas tradições irmãs. Há muçulmanos em Israel, assim como há judeus em países árabes.


O que deve ser feito? Não importa se somos budistas, hinduístas, taoístas, judeus, cristãos, ateus ou muçulmanos. Devemos todos caminhar para a fraternidade universal, e isso precisa ser feito com a firmeza ética e o rigor indispensáveis quando se trata de optar pelo que é correto. 

Os cidadãos de boa vontade não devem proteger atos de terrorismo. Não cabe lavar as mãos diante de atitudes sistemáticas de desrespeito pela vida. É hora de acordar para a lei da ajuda mútua. 

As raízes ocidentais da nossa civilização são gregas, romanas e judaicas. A parte hebraica das nossas origens, porém, começou a ser negada pelos sacerdotes cristãos logo depois que eles se apropriaram da Bíblia dos judeus. A própria Torá judaica tem origens mais antigas. Todos os povos são irmãos.



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