quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Barbie vestida de Nossa Senhora: ofensa à religião? – Por Esteban Pittaro


Dois artistas argentinos são notícia em sites do mundo inteiro devido à sua exposição:

 "Barbie, The Plastic Religion"


A exposição será apresentada em uma galeria de arte contemporânea situada em La Boca, POPA.


Na obra, seus responsáveis Pool&Marianela exporão bonecos da Barbie e Ken, da Mattel, revestidos como diversas figuras religiosas. 

Entre as 33 figuras representadas, há uma maioria de invocações marianas, como Nossa Senhora de Guadalupe, de Luján e Aparecida, algumas de Jesus Cristo, de santos, e de alguns cultos não aprovados pela Igreja, como a "Difunta Correa" e "Gauchito Gil", bem como diversas figuras hindus.

Os artistas esclareceram em sua página do Facebook que sua obra "busca homenagear e não causar nenhum tipo de ofensa a nenhuma religião".

Apesar de Pool&Marianela terem dito que não pretendem ofender, é esperado que, em uma sociedade que se sente muito próxima dos santos e das figuras representadas na exposição, haja rejeição das pessoas, por verem sua devoção vinculada a uma figura comercial como a Barbie. A fé não é algo adquirido nos shoppings nem busca ser motivo de brincadeira.

Já houve uma polêmica semelhante em 2004, do artista já falecido León Ferrari. Sua obra era abertamente mais agressiva que a da Barbie, e envolvia questionamentos ideológicos contundentes. 

Entre outras imagens, era possível ver bonecos de santos em uma panela, uma imagem de Jesus sobre uma frigideira ou saindo de uma tostadeira, uma fotografia de João Paulo II em cima de preservativos e uma de Jesus Cristo crucificado sobre um avião.

Naquela época, o então arcebispo de Buenos Aires, cardeal Jorge Bergoglio, disse em uma carta: 

"Há algum tempo, ocorrem na cidade algumas expressões públicas de zombaria e ofensa às pessoas de nosso Senhor Jesus Cristo e da Santíssima Virgem Maria, bem como diversas manifestações contra os valores religiosos e morais que professamos".

E prossegue: "Hoje me dirijo a vocês muito triste pela blasfêmia que é perpetrada no Centro Cultural Recolecta por ocasião de umaexposição artística. Também me entristece que este evento seja realizado em um centro cultural que é sustentado com o dinheiro que o povo cristão e pessoas de boa vontade pagam com seus impostos".

Ainda que a atual não seja uma obra concebida com a mesma intenção de Ferrari, não seja exposta em nenhum lugar de financiamento público e algumas das imagens sejam parecidas às que são vendidas nas ruas, a polêmica e evidente e iminente.

Por enquanto, o eco se dá na imprensa internacional. Talvez estas palavras do hoje Papa Francisco ainda possam ressoar nos ouvidos da imprensa argentina geral, que ainda não deu atenção a esta exposição.




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