domingo, 2 de novembro de 2014

Cristãos são mais perseguidos por dinheiro do que pela religião


O patriarca dos católicos da Síria, Gregorios III Laham, considera, em entrevista à Lusa, que a origem do movimento terrorista Estado Islâmico constitui ainda um "mistério" e que os cristãos são perseguidos por motivos financeiros. 

Para o líder religioso católico, na Síria, apesar da guerra, as relações entre as pessoas "é a mesma de sempre"

"Os cristãos tornaram-se num meio de eles ganharem dinheiro", afirmou Gregorios III Laham, Patriarca da Igreja Católica Greco-Melquita de Antioquia e de todo o Oriente, Alexandria e Jerusalém, que não acredita em confronto de religiões no Iraque e na Síria. 

"Esta gente não é religiosa, dizem que são muçulmanos, mas quem é esta gente? Pessoas convertidas ao Islão à pressa na Suécia ou na Holanda? O que sabem eles do Islão? Eu acredito que, na maior parte dos casos, são oportunistas, mercenários. Por isso, os ataques contra os cristãos na Síria não podem ser interpretados como uma perseguição religiosa", disse à Lusa Gregorios III Laham, que está em Lisboa até ao dia 03 de Novembro a convite da Fundação AIS, Ajuda à Igreja que Sofre e participa hoje numa conferência sobre a situação dos refugiados.

Para o líder religioso católico, na Síria, apesar da guerra, as relações entre as pessoas "é a mesma de sempre" e a maior parte dos ataques contra "cristãos e católicos" foram dirigidos para a obtenção de dinheiro e outros bens.

"Se eles (Estado Islâmico) não têm qualquer fé também não podem perseguir o outro por causa da fé a não ser que seja por causa do dinheiro e de outros bens que podem ser roubados", diz, acrescentando que a origem do movimento constitui ainda "uma grande interrogação".

"Eu não sei quem é esta gente do Estado Islâmico, para mim é magia, um mistério. Como é que conseguiram organizar-se em tão pouco tempo? Como é que trinta mil pessoas conseguiram tanta força? Dominam tanta gente e em tão vasto território? Para mim é um mistério e na maior parte não têm qualquer noção sobre o sentido da vida. São artificiais, são pagos. Não são islâmicos, nisso não posso acreditar", resume Gregorios III.

Agora, o resto do mundo não pode ter medo: "Temos de pensar de forma racional e convido a Europa e os Estados Unidos, a Rússia, a China e todos a concertarem posições pela salvação do mundo, caso contrário teremos a III Guerra Mundial". 

A solução, diz, é "paz e não as armas" até porque, há muitos que "querem, através da guerra, levantar a economia da Europa com a venda de armamento, que se tornou num bom negócio". 

"O Santo Padre já disse que um dos maiores pecados da actualidade é o tráfico de armas e eu também penso. A Síria é hoje um grande local para o negócio de armas", acusa. 

Gregorios III Leham defende o "consenso" como solução e levanta dúvidas sobre a coligação (contra o terrorismo) que "apenas vai causar mais guerra".

"Eu sou pelo consenso não apenas por uma coligação e disse-o numa carta que enviei a Obama. Caso contrário, vai ser mais uma batalha e depois mais uma guerra", afirma acrescentando que é preciso auxiliar os refugiados das guerras da Síria e do Iraque.


"É uma tragédia, estamos a prestar ajuda directa a partir de Damasco a oito mil famílias. Tenho de arranjar dinheiro todos os meses para conseguir ajuda para eles", diz, sublinhando que é "preciso" tirar lições do passado para se conseguir a paz entre os povos. 



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