terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Ex-dirigentes do Banco do Vaticano desviaram milhões das contas da Igreja

Os desfalques apurados nas operações imobiliárias da instituição cujo nome oficial é IOR (Instituto para Obras de Religião) podem chegar a 60 milhões de euros. 

O responsável pelo setor económico do Vaticano havia revelado a existência de centenas de milhões de euros “escondidos” em contas da Santa Sé.

O responsável pelo setor económico do Vaticano havia revelado a existência de centenas de milhões de euros “escondidos” em contas da Santa Sé. Foto de Giorgio Galeotti.

As autoridades jurídicas da Santa Sé abriram uma investigação contra dois ex-diretores do Banco do Vaticano por apropriação indevida de dinheiro, segundo informou este sábado o porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi.

Os desfalques apurados nas operações imobiliárias da instituição cujo nome oficial é IOR (Instituto para Obras de Religião) podem chegar a 60 milhões de euros. 

Segundo divulgado pela imprensa italiana, os factos remontam ao período entre 2001 e 2008 e dizem respeito à venda irregular de 29 edifícios pelo Banco do Vaticano.

O responsável pelo setor económico do Vaticano havia revelado a existência de centenas de milhões de euros “escondidos” em contas da Santa Sé.  Segundo o cardeal australiano George Pell afirmou, o dinheiro achado não estava nos balanços financeiros da Igreja.

Em julho, a instituição comandada pelo papa Francisco anunciou uma operação de reestruturação no setor económico após constatar défice de 24,4 milhões de euros no balanço da Santa Sé em 2013.

Embora o porta-voz do Vaticano não tenha divulgado a identidade dos acusados, a imprensa italiana afirma ser Angelo Caloia, que presidiu o banco por duas décadas até o ano de 2009, e o ex-diretor Lelio Scaletti, que deixou o IOR em 2007, após 12 anos no cargo. As contas de ambos foram “bloqueadas a título de medida cautelar há algumas semanas”, disse o porta-voz Lombardi.

"O problema foi apresentado à Magistratura do Estado da Cidade do Vaticano pela direção do IOR após operações de verificação interna iniciadas ano passado", acrescentou Lombardi. 

O banco, ao rever os balanços e constatar as irregularidades, resolveu denunciar os ex-dirigentes, “ressaltando o compromisso com a transparência e a tolerância zero, inclusive no que se refere a assuntos de um passado mais distante”.

Reforma

Desde que o papa Francisco assumiu o pontificado, a reforma do IOR (Instituto para as Obras de Religião), nome oficial do banco comercial do Vaticano, alvo de diversas denúncias de corrupção e lavagem de dinheiro, é um de seus maiores desafios.

A partir de agora, todas as contas de clientes serão controladas e só poderão ser titulares “as instituições católicas, os membros do clero, os empregados ou antigos empregados do Vaticano [para salários e pensões], embaixadas e diplomatas acreditados na Santa Sé”.

O banco anunciou a suspensão de relações com mais de 3 mil clientes que entre outras irregularidades, eram indivíduos ou entidades laicas que não estão autorizadas a manter vínculo com este organismo.

De acordo com o comunicado emitido, “a renovação dos trabalhos será realizada com o propósito de converter o banco num organismo coerente com a missão de serviço cristão”.


A nota de imprensa reporta que na primeira etapa das reformas, serão eliminadas as situações de risco e investimentos incorretos herdados de gestões anteriores e prepara uma segunda etapa, que incluirá a sua reestruturação.



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