quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

"A Bíblia é um verdadeiro patrimônio da humanidade"



Sagrado para os cristãos, a Bíblia continua sendo o livro mais distribuído no mundo e, sem dúvida, o mais lido sobre a face da terra. 

A informação é de Erní Seibert, doutor em Ciências da Religião, mestre em Teologia com MBA em Marketing de Serviços, além de autor de quatro livros e secretário de Comunicação e Ação Social da Sociedade Bíblica do Brasil e diretor do Museu da Bíblia de São Paulo e do Centro Cultural da Bíblia do Rio de Janeiro.

Em entrevista ao Jornal Meio Norte, Erní é enfático ao afirmar que a Bíblia é a Palavra de Deus, é um ato de fé. 

“Se eu creio naquilo que a Bíblia diz e aceito isso como a Palavra de Deus para minha vida, é evidente que a reverência diante da Bíblia será muito grande. Cristãos afirmam que a Bíblia é a Palavra de Deus. Evidente que existem variações na compreensão desta expressão. Mas todos os cristãos reconhecem que a Bíblia desempenha um papel especial e fundamental para a fé e vida cristã. Ela é a Palavra de Deus”, afirma.

Mesmo entre não cristãos, conforme Erní, há o reconhecimento de que a Bíblia é um livro todo especial. Vai além do livro de fé dos cristãos. 

“Ela é um verdadeiro patrimônio da humanidade. Mesmo pessoas sem fé leem a Bíblia porque acham que ela tem uma palavra de sabedoria. Neste caso não a reconhecem como Palavra de Deus, mas não deixam de reconhecer que ela tem valor. Muitos que criticam a Bíblia nunca a leram. Mas, repito, dizer que a Bíblia é Palavra de Deus é um ato de fé”, diz.

Erní informa que só as Sociedades Bíblicas distribuem mais de 30 milhões de Bíblias por ano. 

“Não há livro, nem os maiores best-sellers, que alcance número semelhante de forma contínua”, diz, enfatizando que em todas as igrejas cristãs ao redor da terra, ao menos uma vez por semana, os cristãos se reúnem para ler pelo menos um trecho da Escritura Sagrada. Portanto, não há outro livro que seja tão lido. 

“Além disso, cristãos individualmente leem trechos da Bíblia em suas casas, no trabalho, no transporte público e assim por diante. Com certeza, a Bíblia é o livro mais lido sobre a face da terra”, confirma.

Para Erní, o crescimento do islamismo no mundo não afeta a questão da leitura da Bíblia. Mesmo em lugares onde há conflitos religiosos, isso não significa que a Bíblia passe a ser menos lida. 

“O que se verifica é que, em tempos difíceis, seja por qualquer motivo, as pessoas buscam mais consolo e orientação na Palavra de Deus”, diz.

Ele destaca ainda que nos últimos 25 anos, a SBB tem verificado um crescimento constante na distribuição de Bíblias no Brasil. 

“Não acreditamos que as pessoas comprem Bíblias para guardar. Se compram é para ler. Além disso, temos constantemente feito campanhas de leitura bíblica. É claro que a leitura da Bíblia poderia crescer. Ainda falta muito conhecimento bíblico até em igrejas. Mas a leitura bíblica tem aumentado”, relata.

Para o escritor, há vários fatores que levam as pessoas a lerem a Bíblia. Alguns começam a ler por curiosidade. Há até os que começam a ler para combatê-la. 

“Mas a maioria das pessoas lê a Bíblia para encontrar nela orientação e consolo para a vida. Uma pessoa doente busca consolo e orientação. O mesmo acontece com os jovens, os pais, os filhos, os empresários e assim por diante”, relata, lembrando que é importante que sempre haja o incentivo à leitura, mostrando os grandes benefícios que isso traz para a vida pessoal e para a vida comunitária. “Na própria Bíblia verificamos que o apóstolo Paulo recomendou a seu discípulo Timóteo que ele se dedicasse à leitura da Palavra de Deus. Se há necessidade de fazer esta recomendação é porque, por vezes, a dedicação é menor”, exemplifica.

Bíblia e ciência não são necessariamente contraditórias. É que a ciência tem métodos diferentes de trabalho que a Bíblia. 

“Um exemplo, talvez até inadequado, mas que mostra como os métodos são diferentes, podemos observar na história da criação. Se lemos em Gênesis a história da criação do ser humano, vamos aprender que ele foi feito por Deus no sexto dia da criação. Ou seja, no sábado, ele tinha apenas um dia. Adão, então, no primeiro sábado da história teria um dia. Se um cientista encontrasse Adão caminhando no Jardim do Éden, ele diria que aquele ser humano tem mais de um dia. A perspectiva da história bíblica do Gênesis era totalmente diferente da perspectiva de um homem de ciências. Não é que são contraditórios”, diz, explicando que são perspectivas de análise diferentes.

“O estudo da Bíblia emprega muitas ciências. Por vezes há paradoxos que o ser humano ainda não alcançou compreender. Mas não significa que sejam conflitos entre Bíblia e ciência”, finaliza.   









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