terça-feira, 28 de abril de 2015

Igreja católica japonesa critica `revisionismo histórico` do Governo de Shinzo Abe


A Conferência Episcopal do Japão criticou a intenção do Governo nipónico de "reescrever" as agressões do Exército Imperial em países vizinhos antes e durante a II Guerra Mundial, assim como a sua reinterpretação da Constituição pacifista do país.

Numa declaração publicada a propósito do 70.º aniversário do fim da II Guerra Mundial, que se celebra este ano, os bispos japoneses empregam uma linguagem dura para se referirem à atuação do Executivo conservador do primeiro-ministro Shinzo Abe.

"Estamos muito preocupados com o atual rumo da administração", afirmou o arcebispo de Tóquio e presidente da Conferência Episcopal nipónica, Takeo Okada, citado hoje pelo diário Asahi. Estima-se que o Japão tenha cerca de 500.000 católicos, o que representa menos de 1% da população.

Por seu lado, Kazuo Koda, bispo da arquidiocese de Tóquio que participou ativamente na redação do texto, explicou que inicialmente havia dúvidas sobre se deviam discutir medidas políticas mas "finalmente convencemo-nos de que devemos falar a alto e bom som sobre o que de incorreto resulta destas decisões".

O texto afirma que 70 anos depois da contenda "a sua recordação se está a desvanecer juntamente com a memória do domínio colonial e da agressão japonesa e os seus correspondentes crimes contra a humanidade". Atualmente, diz o documento "existem movimentos para reescrever a história desse tempo, negando o que realmente aconteceu".

O documento da igreja japonesa critica também o facto de o atual Governo estar "a tentar promulgar leis para proteger segredos de Estado, permitir a autodefesa coletiva e mudar o artigo 9.º da Constituição para permitir o uso da força militar no estrangeiro".


No ano passado, o Executivo aprovou a reinterpretação do artigo 9.º da Carta Magna, que proibia, até então, o Japão de usar força para resolver conflitos internacionais, de modo a que o país possa defender os seus aliados caso sejam atacados e possa ter um papel militar mais ativo no cenário global.






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