quarta-feira, 8 de abril de 2015

Intolerância ao islamismo começa dentro de casa - Por César Rosati


Segundo especialista, grupos extremistas que usam o Islã como pano de fundo em atos terroristas ajudam a criar uma falsa imagem da religião.

Foi com a própria família que Geizianne Guedes passou por um dos piores momentos na religião que escolheu há quatro anos. Sarah Ghuraba, como prefere ser chamada, diz que a forma de se vestir foi encarada como uma afronta pelos familiares. 'Minha mãe achava que ia ser só mais uma religião que logo ia passar, mas não passou. Então ela começou a me boicotar.'

As histórias se repetem. Os muçulmanos ouvidos pela reportagem CBN dizem que os casos de preconceito contra eles são frequentes: dentro e fora de casa.

Na Zona Oeste de São Paulo, Ridson Mariano Paixão se transformou em Sharif Abdul Hakim quando entrou para o Islã há 10 anos. Poeta e ativista do movimento negro, o muçulmano de 32 anos conta que a mãe sofreu muito ao saber que ele iria seguir outra religião. 

Segundo Sharif, a opção pelo Islã frustrou um desejo específico da mãe. De origem evangélica, ela queria que Sharif seguisse os passos da igreja e se transformasse em um membro da comunidade. Desde sempre, ele frequentou a igreja e não esperava tal reação ao mudar de religião. 'Nunca imaginei que poderia causar tamanho desconforto para os membros da minha família.'

E até hoje é difícil. A mãe de Sharif disse a reportagem CBN que ainda encara a escolha do filho como um tabu. Para Hosana Mariano, o rótulo que os muçulmanos carregam é preocupante. 'Meu filho fez essa escolha, mas eu não concordo, eu não aceito. Ele sabe disso.'

Na opinião do professor de comunicação e política da USP, Gaudêncio Torquato, os grupos extremistas, que usam o Islã como pano de fundo em atos terroristas, ajudam a criar uma falsa imagem da religião. 

Segundo ele, o Brasil tem um histórico de acolhimento de todas as crenças, mas o pesquisador teme por uma escalada do preconceito no país. 'Nós não temos ainda um conflito acirrado, mas se percebe uma certa restrição ou até mesmo uma discriminação.'






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