quarta-feira, 27 de maio de 2015

Richard Dawkins abre Fronteiras do Pensamento 2015



A urgência de aprender a conviver com o diferente, a sociedade inserida em uma moldura que reflete a aceitação do que não é espelho. 

Sob o tema Como viver juntos, o biólogo evolucionista Richard Dawkins abriu nesta segunda-feira, em Porto Alegre, a edição 2015 do Fronteiras do Pensamento.

Autor de livros como: O Fenótipo Estendido e Deus, Um Delírio, o britânico subiu ao palco do Auditório Araújo Viana por volta das 20h com o desafio de explicar, do ponto de vista científico, que a diversidade podem e deve, ser aceita.

O assunto é uma seara confortável para o professor da Universidade de Oxford (Inglaterra). Em um dos seus mais aclamados livros, O Gene Egoísta, Dawkins explica a evolução por meio de uma visão centrada no gene. 

“A seleção natural sempre escolherá o ser mais competitivo”, explicou. Isso, porém, não se aplica, nem deveria, ao ser humano dotado de racionalidade. Este, de acordo com o etólogo, é um predador controlado, um animal que conseguiu domar a seleção natural no intuito de aprimorar a convivência em sociedade.

“Mas, se o gene é egoísta, como fugir dos nossos?”, perguntou alguém da plateia lotada do Araújo Viana. Não é essa a questão, conforme explanou Dawkins.

“O gene é que é egoísta, e não o indivíduo”. Esse gene pode, inclusive, levar ao altruísmo, segundo ele. O ser humano se emancipou de sua genética egoísta, que, dada como fato científico, não confere nenhuma espécie de maldade àquele que a carrega, conforme o professor.

Religião

Ainda que em todo o seu discurso em palestra Dawkins não tenha se referido à religião, tema pelo qual é bastante conhecido devido ao seu esforço em travar uma “guerra” contra os criacionistas, no momento das perguntas do público, como era esperado, a questão veio à tona.

Mesmo já tendo dito que gostaria de falar mais a respeito de ciência, e menos sobre o ateísmo, em seu trabalho, o evolucionista respondeu às perguntas deixando claro acreditar que religião e ciência são fundamentalmente inimigas. “A religião há muito tempo tenta dar respostas sobre a origem e o significado da vida”, respostas essas que, segundo ele, cabem à ciência.

Para ele, a crença em um ser sobrenatural criador do universo é danosa à humanidade. “Qualquer ideologia que não se baseie na razão é perigosa”, afirmou.

Quanto ao ensino religioso nas escolas, o britânico explica que é necessário que a educação fale sobre ciência. “Não há como entendermos história sem a bíblia, por exemplo”. 

Porém, alerta que crianças devem ser formadas em instituições que forneçam conhecimento a respeito da religião, e não com propósito doutrinário. É preciso, de acordo com Dawkins, explicar que há uma diversidade de religiões, e falar sobre elas, mas não impor, na educação, que existe uma determinada crença, que ela é de tal forma e que o indivíduo deve pertencer a ela.

Os cientistas têm como missão, conforme analisa o acadêmico, simplificar a ciência. No entanto, o fato de ela ser de mais difícil compreensão do que a religião não significa que devemos abandoná-la e adotar a fé cega.

Um Richard Dawkins que trincou a imagem polêmica pela qual é conhecido. Para os mais fãs de seu trabalho em “militar” contra a crença, ou para os não entusiastas da genética, o Dawkins que Porto Alegre conheceu pode ter sido um tanto contido demais, e até entediado a plateia com seu discurso científico. Conseguiu, porém, deixar claro o seu entendimento a respeito do tema central do evento, Como viver juntos, pela ótica que domina: “Ainda que o gene seja egoísta, nós, seres humanos, podemos planejar um futuro altruísta”.

O Fronteiras do Pensamento segue, com outras oito conferências, até o dia 23 de novembro. A programação completa e outros detalhes podem ser conferidas no site do evento.





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