sexta-feira, 5 de junho de 2015

Paulo Rangel, Jesus Cristo e a política – Por Margarida Gomes


Jaime Gama, ex-ministro do PS, convidado para apresentar livro do eurodeputado do PSD/Portugal que traz a debate a religião e a política.

O mais recente livro do eurodeputado Paulo Rangel, intitulado: Jesus e a política, reflexões de um mau samaritano, vai ser apresentado no próximo dia 17, no Porto/Portugal. A sessão está marcada para o Palácio da Bolsa, um espaço que comporta um certo simbolismo tendo em conta em que se vai debater um tema cristão num salão árabe. 

A apresentação do livro será feita por Jaime Gama, antigo-ministro dos Negócios Estrangeiros e presidente da Assembleia da República, considerado um senador da República, que lutou contra a ditadura, e pelo seu filho, João Gama, professor da Faculdade de Direito de Lisboa. O debate será moderado pelo professor da Faculdade de Letras de Coimbra e teólogo Anselmo Borges, considerado um padre progressista.

 Ao PÚBLICO, Paulo Rangel explica as razões que o levaram a escrever este ensaio, que procura demonstrar que a separação entre a religião e a política tem a sua origem no Cristianismo.

“A minha intenção ao escrever este texto é, no fundo, trazer para a esfera pública o debate sobre as relações entre a religião e a política. É que em Portugal, por razões históricas várias, há um certo tabu em trazer a religião para o debate público. E o que este ensaio visa é dizer que a religião e a política fazem parte da nossa cultura pública”, declarou ao Rangel. 

O eurodeputado do PSD sublinhou ainda a ideia é que “estes dois temas sejam discutidos no espaço público com direitos de plena cidadania. Não tenhamos medo de discutir estas coisas”.

Escrito em três línguas, português, francês e inglês, o ensaio explica por que é que a figura de Jesus Cristo perturbou tanto o poder político e religioso da época. Lendo o ensaio percebe-se que Jesus foi visto como uma ameaça para o sistema político e religioso apesar de não ter um projecto pessoal, no sentido de querer ser um líder político, nem um projecto programático de poder.

A apresentação do livro é aguardada com alguma expectativa pelo facto de juntar na mesma sessão Jaime Gama e João Gama, duas personalidades completamente diferentes. 

O antigo ministro socialista tem um perfil mais laico e um espírito mais progressista. Já João Gama é um homem com convicções mais liberais do centro-direita e com alguma ligação à religião. O debate, que se seguirá à apresentação do livro, acabará por reflectir duas visões diferentes: uma mais progressista e outra mais conservadora.


O ensaio Jesus e a política, reflexões de um mau samaritano começou a ser escrito há já algum tempo, mas só agora é que ficou concluído. Paulo Rangel acredita que a apresentação do livro ”será um momento de cultura muito grande”.Será um acto de cultura pública sobre a figura de Jesus”, declara o autor do livro. Na calha, Rangel tem mais três ou quatro projectos.




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