quinta-feira, 9 de julho de 2015

Futebol e religião, uma questão de fé - Por José Bragança e Duarte Monteiro



Adel Taarabt, Mehdi Carcela, Brahimi ou Slimani, por exemplo, são jogadores muçulmanos que cumprem o Ramadão, período no qual não comem nem bebem entre o nascer e o pôr do sol. 

Apesar do Islão ter uma certa tolerância em algumas situações de força maior, normalmente os crentes optam por cumprir as suas tradições religiosas à risca, mesmo que isso signifique um sacrifício maior nas suas vidas pessoais e profissionais.

O Ramadão, que não tem uma data sempre fixa (varia com as fases da Lua), é um jejum que dura entre a alvorada e o pôr do sol, onde os seus praticantes, além de não comerem nem beber nada, têm menos conversas entre si e nem podem ter relações sexuais. O tempo é de reflexão, mas também de oração e leitura do Alcorão. Este ano, começou a 18 de Junho e vai prolongar-se até 17 de Julho. Em 2016, começa a 6 de Junho.

Os jogadores muçulmanos têm uma recuperação física rápida depois deste período. Mas, afinal, que impacto pode ter o Ramadão na preparação das equipas para o campeonato português? O zerozero.pt conversou com Manuel Cajuda, experiente técnico luso que conhece bem as tradições muçulmanas e até já cumpriu o Ramadão. O treinador explicou-nos, entre outras coisas, que os clubes lusos “deviam estar preparados” para esta realidade.

“Olhe, não sei se os clubes, nomeadamente os clubes grandes, estão preparados. Se não estão, deviam estar. Os treinadores devem ajudar os seus jogadores e conhecer as suas crenças é das primeiras ajudas que lhes podem dar. É importante que durante o Ramadão os técnicos possam ter um maior cuidado com os jogadores muçulmanos. Sabe que eles perdem muito em aspetos hídricos que não conseguem repor”, explicou Manuel Cajuda, ciente de que estes jogadores “têm uma recuperação física rápida depois deste período”. Manuel Cajuda já chegou mesmo a fazer jejum no Ramadão para perceber o que os seus jogadores passavam.

“Fiz jejum. Queria conhecer melhor as sensações que os meus jogadores passavam e, então, disse à minha esposa que queria fazer e fiz. E digo-lhe que é uma experiência muito gratificante. Eu sou católico mas respeito todas as religiões e foi muito positivo para perceber o meu grupo de trabalho", confidenciou-nos Cajuda, destacando que em equipas de alta competição "não seria de admirar que os treinadores pudessem levar a cabo um plano de treinos específico para jogadores muçulmanos”.

“Realizar treinos depois das 19, 20 ou 21h. Não me admiraria que já se pudesse fazer isso em Portugal”.






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