segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Estado Islâmico recruta crianças


O grupo Estado Islâmico está a recrutar rapazes para o seu exército jihadista.

Estes “Filhos do Califado” têm entre 5 e 15 anos, recebem aulas de religião e são treinados para se tornarem na nova geração de combatentes jihadistas. Sobretudo ensinam-nos a obedecer ou a morrer. Alguns conseguem fugir e contam histórias dramáticas de como é a vida nos campos de treino do grupo Estado Islâmico.

“Eles ensinaram-nos a cortar gargantas e como nos fazermos explodir. Colocamos a mão na testa, levantamos a cabeça para cima, colocamos a faca no pescoço e abatemo-los. Quanto àquela coisa amarrada na cintura, dizem-nos para puxar uma peça de metal, branca, que detona de imediato. Também nos ensinaram a puxar o anel na parte superior de uma granada e a atirá-la, imediatamente, senão explode connosco”, conta Raghib al-Yas Ahmed, de 14 anos.

De acordo com o Observatório Sírio para os Direitos Humanos, pelo menos quatro centenas de crianças estão nos campos de treino do grupo Estado IslâmicoOs “Filhos do Califado” são sujeitos a uma autêntica lavagem cerebral, como conta Raghib. 

“Qualquer um que complete a formação no campo é enviado para um segundo campo para obter um treino mais rigoroso antes de ser enviado para lutar em Kobani. Eles dizem-nos que vamos lutar contra os Yazidis, matá-los, porque eles são infiéis e se morrermos vamos para o céu enquanto eles vão para o inferno.”

O grupo Estado Islâmico publicou, na Internet, vídeos onde jovens, com menos de 15 anos, aparecem de uniforme, a terem aulas de religião e a manipularem armas de fogo. Um dos visados é Hamada Shihab Ahmed, de 10 anos. 

“Somos mais de 80 crianças Yazidis no acampamento, além das crianças muçulmanas. Crianças de 5, 6 anos de idade até aos 15 anos. O meu primo, que tem 15 anos, continua lá. Treinamos de manhã à noite no Instituto Farouq para Crianças e as nossas fotos e vídeos foram publicados numa página do Facebook. Ensinam-nos religião e quem não aprender é punido. Os castigos incluem espancamentos e ficar horas ao sol. Acordam-nos às 4 horas da manhã para rezar, vigiam-nos e punem aqueles que não conseguem acordar. A comida era muito escassa. Comemos uma refeição por dia”, recorda.


As crianças tornaram-se numa arma importante na propaganda do grupo Estado Islâmico. De acordo com o Observatório Sírio para os Direitos Humanos pelo menos 120 adultos aderiram ao exército jihadista entre 1 de Janeiro e 23 de Março, de 2015.




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