sábado, 7 de novembro de 2015

Cristãos são fortemente perseguidos no Oriente Médio, África e Ásia


Relatório "Perseguidos e Esquecidos?”, da Fundação Pontifícia Ajuda à Igreja que Sofre (AIS), mostra a perseguição aos cristãos entre 2013 e 2015, em 22 países onde se verifica uma maior violação à liberdade religiosa. 

O Cristianismo parece estar destinado a desaparecer no Oriente Médio conforme indica o documento, que mostra também um aumento da perseguição aos cristãos, entre 2013 e 2015.

No Iraque, por exemplo, o estudo conclui que, caso o êxodo de fiéis continuar a ocorrer, como vem acontecendo desde Agosto de 2014, não haverá mais cristãos no país no prazo de cinco anos. No fim de Outubro deste ano, entre os dias 23 e 25, a AIS-Brasil recebeu a visita do padre iraquiano Douglas Bazi para duas celebrações no Rio de Janeiro e, durante a sua passagem, contou um pouco sobre a situação que vivem no Iraque.

"Há 14 meses, o Estado Islâmico atacou e tomou toda a região norte do país, obrigando cerca de 100 mil cristãos a abandonarem suas casas. A fuga ocorreu à noite, com milhares de pessoas andando pelas estradas em direção às cidades de Erbil e Dohuk. Desde então, eu vivo com eles em um campo de refugiados. As famílias perderam tudo e vivem em tendas ou containers de carga, desses transportados em navios, adaptados como residência. O calor chega a 51 graus, não há privacidade, trabalho e dependemos da ajuda enviada por entidades, como a AIS. Se não houver uma interferência, o povo cristão irá desaparecer em breve”, denuncia o sacerdote.

Os conflitos na Síria também foram responsáveis pela queda do número de cristãos, de 1,25 milhões, antes do início da guerra em 2011, para quase 500 mil, hoje. O relatório descreve o que chama de "limpeza étnica por motivos religiosos” dos cristãos por parte de grupos terroristas islamitas, especialmente no Iraque e na Síria, mas também em partes da África.

O relatório conclui ainda que, em 2015, a situação dos cristãos piorou em 15 dos 22 países em análise, sendo que, em 10 países, a perseguição é classificada como "extrema”. Até 2013, quatro países possuíam esta classificação. O extremismo islâmico foi apontado como a maior ameaça, mas a intolerância registrada por extremistas de outros grupos religiosos, como Hinduísmo, Judaísmo e Budismo, também aumentou em quantidade de ataques e violência.

Regimes classificados como totalitários, como o chinês, também colocam uma pressão crescente sobre a Igreja. E em países, como a Eritreia e o Vietnã, a perseguição se intensificou nos últimos dois anos. O relatório observa que, em muitos casos, os cristãos são perseguidos não por causa da crença, mas pela suposta ligação com o Ocidente, especificamente com os Estados Unidos.

O Papa Francisco, ao receber uma cópia do estudo, enviou uma mensagem para a AIS oferecendo o seu apoio para as questões dos refugiados, expressada por meio de uma carta do secretário de Estado do Vaticano, cardeal Pietro Parolin: 

"Desta forma, [o Papa] reza para que aqueles em posições de autoridade diligentemente se esforcem não só para erradicarem a discriminação e perseguição religiosa em suas próprias nações, mas também para buscarem formas cada vez mais eficazes para promover a cooperação internacional, a fim de superar esses crimes contra a dignidade humana e da liberdade religiosa”.

O Papa Francisco também enviou esta semana uma mensagem publica ao cardeal Kurt Koch, presidente do Conselho Pontifício para a Unidade dos Cristãos, e para todos os participantes da reunião do Foro Cristão Mundial, que teve lugar em Tirana (Albânia), de 02 a 04 de Novembro. O tema foi: "Discriminação, perseguição, martírio: seguir juntos a Cristo”.

"Em diferentes partes do mundo, o testemunho de Cristo, às vezes, até o derramamento de sangue tem se convertido em uma experiência comum para os católicos, ortodoxos, anglicanos, protestantes, evangélicos e pentecostais, que é muito mais profunda e forte do que as diferenças que ainda separam nossas igrejas e comunidades eclesiais. (...) a reunião dará voz às vítimas da injustiça e da violência, e tratará de mostrar o caminho que levará a família humana para longe dessa trágica situação”.

Durante a reunião, o Foro pediu aos perseguidores de cristãos que detenham sua violência; aos governos que respeitem e protejam a liberdade religiosa e, especialmente, que defendam os cristãos e as pessoas perseguidas em razão do seu credo; aos meios de comunicação que informem corretamente sobre as violações da liberdade religiosa e as discriminações e perseguição dos cristãos.

O informe: "Perseguidos e Esquecidos?” examinou 22 países no Oriente Médio e outros lugares, como a China, Egito, Eritreia, Nigéria, Coreia do Norte, Paquistão, Sudão e Vietnã, por meio de entrevistas realizadas com sacerdotes, bispos, religiosas e leigos. 

O relatório compila testemunhos de pessoas que vivenciaram casos de violência e pesquisou notícias publicadas pelos meios de comunicação locais. Sendo que os dados obtidos foram ainda comparados posteriormente com informações recolhidas junto às organizações não governamentais que atuam nesses países.

Sobre a AIS


A AIS surgiu em 1947, na Bélgica, e foi elevada, em 2011, à condição de Fundação Pontifícia, vinculada à Santa Sé e com sede no Vaticano. Atualmente, atende a mais de 60 milhões de pessoas, por meio dos mais de 5 mil projetos apoiados anualmente pela entidade, em cerca de 140 países, incluindo o Brasil. 

Os projetos auxiliados pela AIS englobam a produção e distribuição de material catequético, construção e reconstrução de igrejas; locomoção e transporte para religiosos e missionários; recuperação de jovens dependentes químicos; construção de escolas e casas e alimentação, medicamentos, agasalho e abrigo para refugiados.




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