sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

A ciência e o comportamento humano – Por Benedicto Ismael

Muitas pessoas agem de forma automática sem refletir sobre suas ideias e ações. 

Quando o cerebelo deixa de atuar como ponte para a alma, significa que o raciocínio já tomou conta das decisões, impedindo a reflexão intuitiva que possibilitaria perceber as motivações ocultas e geralmente condicionadas.

Trabalhando com os sentidos e a observação da natureza, a ciência acabou desacreditando a religião porque esta se baseou em pressupostos dogmáticos criados pelos próprios homens, em oposição às leis naturais, e com isso passou-se a crer que os seres humanos e a Terra fossem o centro de tudo. Porém, tanto a religião como a ciência acabaram se afastando da espiritualidade, permanecendo desconhecedoras da origem da Criação, da vida e do ser humano.

Deepak Chopra, formado em medicina na Índia, busca no livro: Ciência X Espiritualidade, a compreensão da condição humana. Segundo ele, a espiritualidade se orienta para uma região invisível e transcendente, interna aos indivíduos, havendo uma realidade invisível que é fonte de todas as coisas visíveis e que pode ser reconhecida pela nossa consciência. 

No debate entre ciência e consciência sobressai a questão da livre resolução dos seres humanos, cuja naturalidade acabou sendo perdida nas complexas teorias religiosas e científicas.

Segundo esclarecimentos do escritor alemão Abdruschin (1875-1941), autor da: Mensagem do Graal, cada intuição forma imediatamente uma imagem com a participação do cerebelo que deve ser a ponte da alma para dominar o corpo. O cerebelo é a parte do encéfalo que transmite o sonho, estando ligado ao cérebro anterior de cuja atividade se originam os pensamentos ligados ao espaço e ao tempo, os quais compõem o raciocínio. Como ponte, o cerebelo possibilita a manifestação da alma através de intuições, as quais dão as coordenadas ao raciocínio formado pelos pensamentos. Quando o raciocínio se torna dominante, ele bloqueia a intuição.

O ser humano não é máquina, uma vez que as máquinas não podem tomar decisões por si, mas apenas fazem aquilo para o que foram programadas. Deepak defende que o ser humano tem a faculdade de decidir, de fazer livres escolhas de forma consciente com o seu livre arbítrio. No entanto, os humanos têm se deixado viciar em agir no piloto automático, sem prestar atenção ao que fazem. Nesse caso, tendem a se tornar subordinados ao cérebro e aos mecanismos aos quais se deixaram plasmar. Por isso há muito esforço para entender como funcionam o cérebro e o raciocínio para alcançar uma dose de previsibilidade com relação ao comportamento humano.

Muitas pessoas agem de forma automática sem refletir sobre suas ideias e ações, sem perceber como e por que foi tomada determinada decisão. Quando o cerebelo deixa de atuar como ponte para a alma, significa que o raciocínio já tomou conta das decisões, impedindo a reflexão intuitiva que possibilitaria perceber as motivações ocultas e geralmente condicionadas.

O naturalista britânico Charles Darwin (1809-1882), havia percebido o instinto de imitação dos animais e inclusive do ser humano. 

Os animais jovens imitam os mais velhos como meio de aprendizado; tudo é simples e natural. Mas os humanos tendem a imitar os modelos que lhes são dados a ver. E quando o ser humano passa a agir por imitação diante de situações semelhantes às vividas pelos modelos apresentados, ele, na realidade, está se reduzindo, tornando-se indolente por não querer se dar ao trabalho de refletir sobre a forma e a razão de estar agindo de uma determinada forma e não de outra que poderia ser mais conveniente a si mesmo.

Na Roma antiga oferecia-se pão e circo. No passado, a religião incentivava os fiéis a permanecer na indolência e a não fazer muitas reflexões e análises, aceitando tudo o que lhes fosse pregado. 

Atualmente, também se nota um esforço em manter a massa indolente, no piloto automático, tal qual os cães de Pavlov que salivam ao ouvir a campainha que anuncia a chegada da comida. Nós também nos deixamos enganar ao ver cenas de filmes. 

Embora sabendo que se trata de ficção, o cérebro age como se estivesse diante de acontecimentos reais, podendo condicionar-se ao som das "campainhas" que lhe são dadas a ouvir.  Há muitos modelos mórbidos, sem propósitos de vida.

Sem contato com o eu interior, as pessoas tendem a imitar os modelos que lhes são oferecidos. Os modernos estudos da neurociência avaliam as reações sinalizadas no cérebro que captam os índices emocionais.

Em reportagem da revista Veja sobre o cérebro, Carlos Augusto Costa, coordenador do laboratório da Fundação Getulio Vargas (FGV), disse que "estamos longe de entender completamente o cérebro humano, mas com as técnicas do neuromarketing é possível desenvolver uma comunicação muito mais eficaz para candidatos a cargos eletivos, empresas ou instituições públicas". 

Trata-se, na verdade, de uma tentativa para conquistar o inconsciente de eleitores e consumidores em geral para que atuem na direção desejada. Prova de que o viver se tornou sujeito a manipulações e condicionamentos, pois as pessoas se acomodaram a uma situação de não desenvolver esforços por si, como seria o natural. 

Há um vazio de conteúdo espiritual na vida e nos indivíduos. Apenas alguns poucos ainda estão procurando preencher com Luz e Verdade, para compreender e alcançar os fins a que vieram.





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