quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Falta de projetos atrasa reforma de 26 igrejas e monumentos históricos

PAC das Cidades Históricas liberou R$ 171 mi para obras em Pernambuco. Seis meses após o repasse, apenas uma obra começou a sair do papel.


A falta de projetos atrasa a recuperação de 26 igrejas e monumentos históricos em Pernambuco. Apesar do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) das Cidades Históricas ter liberado R$ 171 milhões há cerca de seis meses, apenas uma obra de restauro começou a sair do papel. As demais continuam pendentes nos municípios de Olinda e do Recife e no Arquipélago de Fernando de Noronha.

Desde 2012, a Igreja do Bonfim, em Olinda, está fechada para reforma. No entanto, até agora, apenas tapumes foram colocados para isolar o imóvel. A construção do século 18 segue ameaçada por rachaduras. A pior situação é a da torre, onde as fendas são maiores e comprometem a estrutura.

Vizinha da igreja, a veterinária Cristiane Gondim diz que é comum ouvir barulho de partes da estrutura se soltando. Ela não entende por que tanto tempo pra se iniciar o restauro. “Essa obra estava dependendo de uma licitação que ficou a cargo da prefeitura. Então, a gente fica em uma situação de aguardo eterno”, comenta.

A Igreja de São Pedro Mártir, também em Olinda, é outra que espera pela restauração. As paredes externas estão cheias de pichações. Portas e janelas de madeiras estão gastas e até quebradas.

Restauração em andamento

Os dois templos deveriam ser recuperados pela Prefeitura de Olinda sob a supervisão do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), que também deveria fiscalizar as reformas no Recife e em Noronha. 

No entanto, até agora, a única obra em andamento é a de restauração da Igreja de São Pedro dos Clérigos, no bairro de São José, Centro do Recife. Vinte e oito operários trabalham na recuperação da parte arquitetônica, que deverá ficar pronta em novembro, a um custo de R$ 3,2 milhões. 

O trabalho é feito na parte externa e no telhado da igreja barroca do século 18. A restauração da parte artística, que inclui todos os adornos e entalhes de madeira do interior, está prevista para 2015.

Nesses seis meses, os R$ 171 milhões repassados pelo Governo Federal já perderam valor. Por causa da depreciação da moeda, hoje, equivalem a R$ 165.958.000.

O vigário-geral da Arquidiocese de Olinda e Recife, monsenhor Albérico Almeida, afirma que os projetos das duas igrejas de Olinda ficaram prontos há alguns meses, mas os arquitetos responsáveis ainda não foram pagos. 

“Esses projetos precisam ser pagos pela arquidiocese ou pela paróquia, no caso São Pedro Mártir. E aí está a dificuldade, o dinheiro que nós não conseguimos ainda. Então, estamos negociando com os arquitetos para ver se a gente consegue fazer um pagamento parcelado, para que esses projetos sejam entregues à Prefeitura de Olinda, que vai administrar a obra juntamente com o Iphan”. O monsenhor acrescenta que os projetos dos templos de Olinda custam R$ 270 mil.

O superintendente do Iphan em Pernambuco, Frederico Almeida, explica porque as obras previstas ainda não começaram. “O programa foi autorizado desde agosto de 2013. Daí, então, a gente foi contactar todas as equipes técnicas, dos órgãos, das prefeituras, do governo do estado, para que a gente pudesse reunir e entender as regras do PAC, para que a gente possa adaptar os projetos para começar as obras. Esse semestre, nós vamos iniciar várias obras, acho que 4 no Recife, 6 em Olinda e uma em Fernando de Noronha. Mas, até o fim do ano, a nossa meta é iniciar todas as 26 obras”, promete.

O Iphan acrescentou que o dinheiro disponível no Ministério da Cultura será liberado à medida que as obras de restauração dos monumentos sejam executadas.



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