quinta-feira, 27 de março de 2014

Defensores do islamismo - Por Tiago Cordeiro

Para historiadora, fundadores dos Estados Unidos previam que muçulmano seria presidente do país.

Os fundadores dos Estados Unidos queriam que a nova nação aceitasse todas as religiões, incluindo o islamismo. 

Thomas Jefferson, em especial, pensava que os muçulmanos representavam o limite da liberdade religiosa: era a fé mais polêmica para os americanos da época, e ainda assim deveria ser aceita, se o país quisesse se proclamar verdadeiramente igualitário. Jefferson estudou a fundo a religião. 

Em 1765, o futuro patriarca encomendou um Alcorão em dois volumes, que deixaria cheio de anotações. Foi sobre esse livro que Keith Ellison, primeiro congressista muçulmano da história do país, fez seu juramento em 2007. 

A repercussão negativa desse fato serviu de ponto de partida para o livro: Thomas Jefferson's Qur'an: Islam and the Founders (2013), de Denise Spellberg, especialista em história do Oriente Médio da Universidade do Texas em Austin. Ela detalha o interesse de Jefferson pelo islamismo.

* Quanto os fundadores da América conheciam o islamismo?

Eles eram mais bem-informados do que a média da população, que era desinformada ou simplesmente tinha medo do Islã. Os fundadores liam sobre a religião e os povos praticantes, ainda que tivessem pouco contato com muçulmanos. Eles achavam, Jefferson inclusive, que os seguidores eram majoritariamente brancos. Mas tinham o grau de conhecimento suficiente, já que os debates sobre a nova nação não tratavam de teologia. O debate sobre a religião, na verdade, era sobre os limites da cidadania.

* Ao aceitar os muçulmamos como cidadãos com os mesmos direitos, abriu-se a possibilidade de os Estados Unidos terem um presidente muçulmano. Esta foi uma possibilidade concreta?

Em sua época, Thomas Jefferson foi acusado de islamismo, como se isso fosse um crime. E isso quase 200 anos antes de o mesmo acontecer com Barack Obama. Teoricamente, já em 30 de julho de 1788, delegados federalistas defendiam o ideal político de que, em algum momento, a América teria um presidente católico, um judeu ou um muçulmano. O fato do primeiro congressista seguidor do Islã só ter sido eleito em 2007, sob protestos e críticas à iniciativa de usar o Alcorão de Thomas Jefferson, é a prova de que, tantos séculos depois de estabelecida por documento, esta realidade ainda está muito longe de acontecer.

* Quantos muçulmanos havia nos Estados Unidos na época da independência?

Curiosamente, Thomas Jefferson conheceu apenas dois muçulmanos declarados: dois embaixadores do norte da África. Havia pouquíssimos cidadãos da nova nação morando em território americano, e eles não tinham acesso aos fundadores, para os quais a liberdade aos muçulmanos era um princípio teórico que só seria colocado em prática no futuro. O que havia, em quantidade bem maior, eram escravos de origem islâmica.





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